sexta-feira, 26 de setembro de 2014

True Brujah – O Verdadeiro Poder de Temporis – Parte 1


Nessas trevas intermitentes, vi então a lua passar velozmente por todas as suas fazer, da lua cheia à lua nova, e tive um rápido vislumbre das estrelas em volta. (Máquina do Tempo, H.G. WELLS)

“Eu não estou aqui para ensinar, nada disso, ensinar é para aqueles que se prendem em uma estrutura fechada, estou aqui para indicar potencialidades, pois é isso que o tempo é, potencialidades e distorções, o tempo todo.”

Alexander apenas fitou calmamente seu pupilo, eles estavam no alto de uma colina, seu pupilo era um pouco menor, a pele de Alexander se mesclava com a própria noite, a beleza de seus músculos torneados fazia com que seu pupilo admirasse cada vez mais cada palavra que tinha acabado de proferir.

“O tempo não é um rio congelado, o tempo é uma correnteza, com quedas d águas e córregos calmo, a maioria das pessoas são os peixes que seguem esse rio, em sua concepção esse rio está parado, mas para nós que estamos além desses peixes, o podemos ver o fluxo desse rio, mais ainda, podemos escolher em que borda desse rio vamos entrar e sair, essa é a essência do poder de nosso clã, a essência de nosso sangue, somos os guardiões o tempo, os doadores de memória e devoradores de pecados”

O jovem vampiro apenas observava o que Alexander falava

“Está noite meu jovem, vou lhe ensinar a essência de nossa linhagem e quando terminarmos se prepare para ver as trevas de outra maneira!”

Outro membro se aproximou, Silvana tinha longos cabelos brancos encaracolados, sua pele escura contrastava com a lamina em suas mãos que respingava sangue, ela olhou para o jovem e em seguida para Alexander, apoiou-se em uma pedra e fincou a lamina no chão.

Em seguida um terceiro membro se aproximou, tinha cabelos longos, assanhados e com palhas enroladas em seu cabelo, formando tranças que alcançavam até o meio do seu corpo, sentou-se ao lado do jovem, havia um forte odor de uma erva que exalava de seu corpo.

Em seguida um rapaz baixo apareceu também como se sempre estivesse naquela colina, a luz do luar, ele vestia um túnica com correntes de prata, se curvou parra Alaxander e depois se afastou um pouco e ficou observando.

“Estamos juntos novamente minhas companheiras e companheiros, para iniciar mais um dos nossos os caminhos do Coração do Guerreiro Focado, vamos lá, Silvana apresente a ele.

O Senso de Tempo.

“O caminho inicial do guerreiro meu jovem, perpassa o conhecimento, sem ele um guerreiro está fadado a ser apenas um joguete nas mãos daqueles que controlam o destino, para nós Verdadeiros Brujahs, já superamos isso nas primeiras noites em que o ancestral aprendeu sentir o fluxo temporal.”

“Veja minha lâmina, sinta ela, descubra quanto tempo ela caminha nessa terra e a quanto tempo ela se alimenta do sangue das minhas presas”

O jovem olha a lamina, ele consegue sentir, consegue saber os anos que levaram para que a lamina se torna-se tão afiada, ela sente o fluxo do tempo passar pelo seu corpo como se fosse uma força que lhe estivesse empurrando.

“Consegue sentir não é? Eu também, mas isso não se resume a sentir, o conhecimento é o primeiro passo, eu lhe digo que a percepção do fluxo temporal me torna uma espadachim mais veloz e fatal do que qualquer um, pois posso sentir seu próximo movimento, me movo a partir dessa percepção.”
Alexander saca uma arma e aponta na direção de Silvana, há menos de 1 metro, e dispara, Silvana movimenta a lamina tão rápida que parte a bala ao meio.

“Percebe, perceber o tempo nos deixa mais atentos, nos deixa mais rápidos, nenhuma guerreiro é pariu para um dominador do tempo, na medida em que avança no conhecimento, maior é possibilidade de fluir por esse mundo, compreende?”

O rapaz que estava em pé virou-se para o jovem

“Não se trata somente dos movimentos, trata-se de sua mente, é na força de sua mente em que essa potencialidade de realizar, sentir o fluxo de tempo te permite perceber o fluxo das ideias antes que aconteçam, você antecipa o movimento das coisas, amplia a possibilidade de estratégias e fugas, de armadilhas mais elaboradas, você conhece o tempo certo, sabe manusear um feitiço e uma espada melhor que qualquer outro imortal” 

Disse o homem baixo que fitava Silvana.

O homem que estava sentado ao lado do jovem, pegou a terra e jogou para o alto, o jovem fitou a  poeira.

“Porque está preocupado?” 

A poeira começou a flutuar no espaço, ele podia ver nitidamente cada partícula se movendo.

“A poeira vai cair e você sabe quando e como, basta aguardar, ou se quiser interromper”

A poeira sumiu da frente do jovem.

“Você já é um iniciado, precisamos ir além”

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Encontros e Desencontros Parte Final



Lidian abriu os olhos com muita dificuldade, pode identificar aos poucos onde estava, era um galpão, empoeirado, o teto era alto demais com exaustores de ar que já não funcionavam há muito tempo, haviam caixotes ao redor, notou que seu corpo estava sem roupa, sentiu-se amedrontada como há muito tempo não se sentia.

Tentou levantar-se rapidamente, mas seu corpo não respondeu, ela olhou para sua barriga, havia algo tatuado, isso a deixou mais irritada ainda, ativou sua visão e pode ver melhor a escuridão daquele local,  notou que haviam escritos no chão e que ela se encontrava no centro desse circulo, por um momento um medo primordial subiu pela sua espinha.

“O que fizeram comigo?”

Lidian lembrou-se do medo que sentia do escuro quando tinha 13 anos, lembrou-se da sua família e das dificuldades que passaram, quando a fabrica que montava carros do seu pai fechou e deixou centenas de pessoas sem empregos, o medo que sentia quando seu pai chegava em casa bêbado, foi esse mesmo medo que sentiu naquele momento, olhando para seu corpo.

“Há alguma coisa em meu corpo”

Ela sabia, ela podia sentir isso em cada parte de seu corpo, por isso seu corpo não estava lhe obedecendo, ela rastejou para fora dos circulo, ralando os cotovelos, barriga e perna, ainda estava muito tonta, deixou o sangue fluir pelo seu corpo, mas mesmo assim não conseguiu se levantar, encostou em um caixote velho, havia uma lona, puxou rapidamente e envolveu em seu corpo.

“Você precisa ficar calma menina ... que merda Lidian, ainda está viva pelo menos”

Ela socou o caixote, o soco atravessou a madeira, ela pôde sentir o que havia dentro, era rifles, ela puxou com tudo, segurou, havia um pente, Renata havia lhe ensinado o procedimento, verificar munição, engatilhar, saltar a trava de segurança, não esquecendo a bandoleira.

Ela virou-se e continuou rastejando com dificuldades, queria chegar no canto do galpão, antes que alguma coisa entrasse pela porta principal, talvez com alguma sorte ela pudesse encontrar uma saída, talvez se suas pernas voltassem a funcionar.

“Tiros!?”

Lidian os sons de tiros deviam esta há uns 100 metros a Leste de onde Lidian estava, ou seja, da parte de trás do galpão, ela não escutava barulho de carros, ou qualquer outra coisa, mas havia um cheiro estranho no ar, ela pensou por um momento no porto, mas não ouvia o som de água e nem de insetos que costumam correr por esses lugares. Em seguida, mais sons de tiros, dessa vez mais próximos, ela sabia que estava vindo em sua direção.

Cobriu-se então com a lona, deixando apenas os olhos para fora, um manto de sombras pareceu lhe cobrir, uma pessoa não veria ela naquele ponto em que se encontrava, foi quando ouviu uma batida seca no lado oposto do galpão.

Os faróis de um carro iluminaram todo o lugar, os tiros chegaram junto, ela viu um homem rolando na frente do que parecia ser um jipe, ela não podia ver direito, mas escutou o barulho do motor passando por cima do homem, em seguida o carro.

De dentro saiu Larissa, sua amiga, ela estava acompanhada de Jéssica, que segurava uma espada, ela reconheceu, era a pick-up dos garotos que mexerem com elas mais cedo, a luz de neon em baixo e o som na parte traseira.

- Aqui Larissa! – gritou Lidian – Estou aqui!

Ela sentia-se muito fraca, o grito saiu mais baixo que ela imaginou, mas foi o suficiente para que sua companheira escutasse, Jéssica que era mais rápida chegou em um piscar de olhos.

- Vamos querida, ainda não estamos a salvo!
- O que aconteceu? – perguntou Lidian
- Nós não sabemos babe, mas precisamos sair rápido daqui!
Jéssica colocou Lidian em seu ombro como se fosse um boneca sem peso algum, enquanto ligava a pick-up.

Larisa arrancou com a pick-up tão logo Lidian entrou, ela dirigiu pelo mesmo buraco por onde entrou, a frente do veiculo estava amasada, mas mesmo assim os faróis ainda funcionavam e parecia que o motor iria aguentar o que estivesse por vir.

Jéssica pegou o walk talk e fez contado com Anita
- Companheira, pegamos a Lidian, evacuando do local, fique a postos e dê o sinal a chefe
- Más noticias, resgate só para uma! – ela falava com uma voz tensa, podia-se ouvir os tiros vindo de onde ela estava.
- Ok!

Jéssica e Lidian se olharam rapidamente

- O que houve Jéssica?
- Garota não sabemos ainda! Mas vamos descobrir!

Lidian encostou a cabeça para trás tentando relaxar, ela sentia uma pressão em seu peito e abdômen como se existisse um peso sobre ela, sentiu isso desde o momento que acordou, mas naquele momento sentia mais intensamente, de repente tudo começou a girar, ela virou-se para a janela e vomitou sangue.

Larissa olhou com o canto de olho para Lidia  e depois para Jéssica.

- Não se preocupem, vamos ficar bem! – disse Jéssica apertando um pouco mais o cabo da espada.