Nessas trevas intermitentes, vi então a lua passar velozmente por todas as suas fazer, da lua cheia à lua nova, e tive um rápido vislumbre das estrelas em volta. (Máquina do Tempo, H.G. WELLS)
“Eu não estou aqui para ensinar, nada disso, ensinar é para aqueles que se prendem em uma estrutura fechada, estou aqui para indicar potencialidades, pois é isso que o tempo é, potencialidades e distorções, o tempo todo.”
Alexander apenas fitou calmamente seu pupilo, eles estavam no alto de uma colina, seu pupilo era um pouco menor, a pele de Alexander se mesclava com a própria noite, a beleza de seus músculos torneados fazia com que seu pupilo admirasse cada vez mais cada palavra que tinha acabado de proferir.
“O tempo não é um rio congelado, o tempo é uma correnteza, com quedas d águas e córregos calmo, a maioria das pessoas são os peixes que seguem esse rio, em sua concepção esse rio está parado, mas para nós que estamos além desses peixes, o podemos ver o fluxo desse rio, mais ainda, podemos escolher em que borda desse rio vamos entrar e sair, essa é a essência do poder de nosso clã, a essência de nosso sangue, somos os guardiões o tempo, os doadores de memória e devoradores de pecados”
O jovem vampiro apenas observava o que Alexander falava
“Está noite meu jovem, vou lhe ensinar a essência de nossa linhagem e quando terminarmos se prepare para ver as trevas de outra maneira!”
Outro membro se aproximou, Silvana tinha longos cabelos brancos encaracolados, sua pele escura contrastava com a lamina em suas mãos que respingava sangue, ela olhou para o jovem e em seguida para Alexander, apoiou-se em uma pedra e fincou a lamina no chão.
Em seguida um terceiro membro se aproximou, tinha cabelos longos, assanhados e com palhas enroladas em seu cabelo, formando tranças que alcançavam até o meio do seu corpo, sentou-se ao lado do jovem, havia um forte odor de uma erva que exalava de seu corpo.
Em seguida um rapaz baixo apareceu também como se sempre estivesse naquela colina, a luz do luar, ele vestia um túnica com correntes de prata, se curvou parra Alaxander e depois se afastou um pouco e ficou observando.
“Estamos juntos novamente minhas companheiras e companheiros, para iniciar mais um dos nossos os caminhos do Coração do Guerreiro Focado, vamos lá, Silvana apresente a ele.
O Senso de Tempo.
“O caminho inicial do guerreiro meu jovem, perpassa o conhecimento, sem ele um guerreiro está fadado a ser apenas um joguete nas mãos daqueles que controlam o destino, para nós Verdadeiros Brujahs, já superamos isso nas primeiras noites em que o ancestral aprendeu sentir o fluxo temporal.”
“Veja minha lâmina, sinta ela, descubra quanto tempo ela caminha nessa terra e a quanto tempo ela se alimenta do sangue das minhas presas”
O jovem olha a lamina, ele consegue sentir, consegue saber os anos que levaram para que a lamina se torna-se tão afiada, ela sente o fluxo do tempo passar pelo seu corpo como se fosse uma força que lhe estivesse empurrando.
“Consegue sentir não é? Eu também, mas isso não se resume a sentir, o conhecimento é o primeiro passo, eu lhe digo que a percepção do fluxo temporal me torna uma espadachim mais veloz e fatal do que qualquer um, pois posso sentir seu próximo movimento, me movo a partir dessa percepção.”
Alexander saca uma arma e aponta na direção de Silvana, há menos de 1 metro, e dispara, Silvana movimenta a lamina tão rápida que parte a bala ao meio.
“Percebe, perceber o tempo nos deixa mais atentos, nos deixa mais rápidos, nenhuma guerreiro é pariu para um dominador do tempo, na medida em que avança no conhecimento, maior é possibilidade de fluir por esse mundo, compreende?”
O rapaz que estava em pé virou-se para o jovem
“Não se trata somente dos movimentos, trata-se de sua mente, é na força de sua mente em que essa potencialidade de realizar, sentir o fluxo de tempo te permite perceber o fluxo das ideias antes que aconteçam, você antecipa o movimento das coisas, amplia a possibilidade de estratégias e fugas, de armadilhas mais elaboradas, você conhece o tempo certo, sabe manusear um feitiço e uma espada melhor que qualquer outro imortal”
Disse o homem baixo que fitava Silvana.
O homem que estava sentado ao lado do jovem, pegou a terra e jogou para o alto, o jovem fitou a poeira.
“Porque está preocupado?”
A poeira começou a flutuar no espaço, ele podia ver nitidamente cada partícula se movendo.
“A poeira vai cair e você sabe quando e como, basta aguardar, ou se quiser interromper”
A poeira sumiu da frente do jovem.
“Você já é um iniciado, precisamos ir além”

