segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Sangue, Asfalto e Um Gancho no Caminhão. 4ª Parte




Tudo estava frio, acho que foi a primeira coisa que me veio a cabeça, isso que deve ser a morte, pensei, um tiro na cabeça e um gosto estranho na boca de pólvora, eu sabia que iria para o inferno, mas seria melhor do quer encarar meu senhor, depois de 10 anos escravo dele sentia-me livre com aquela bala na minha boca.

“Eu estava fora... mas eles me puxaram de volta”

Quando abri os olhos, percebi o óbvio, ainda estava vivo e com a cabeça intacta, eu levantei mais rápido que podia, minha garganta estava cega, me engasguei com minha saliva.

“Fala quem te mandou?”
“Taylor” – respondi sem pensar, como se não devesse nada a aquele bastardo.
“Onde está Thomas”

O tal Thomas havia chegado à casa do meu antigo senhor há mais ou menos dois dias, ele estava envolvido na morte de uma mulher na cidade grande, pouco me importava, isso iria sobrar para mim no final. Eu que teria de conseguir mais sangue, mais balas, que merda de vida eu levava, sem amigos, sem namorada, tendo que mexer com o dinheiro de outro, mas um escravo de um desgraçado.

“Com Taylor, na concessionária, estão juntos”

De repente uma luz acendeu pelas minhas costas, era um farol de milha e o som de um motor de mais de 1.000 cavalos cortava a estrada escura, era um caminhão branco, que eu já conhecia de muito tempo, eu corri o máximo que pude, me joguei no meio fio da estrada, enquanto o caminhão cortava ao meio o Mercedes, eu fechei os olhos e sentir o calor da explosão, um pedaço de carne atingiu minhas costas.

O caminhão derrapou à frente, olhei de canto de olho, escondido, acho que nunca tive tanto medo, ao mesmo tempo em que tudo parecia surreal, um homem, de mais de dois metros saiu da cabine, parou na estrada, ele tinha um barba espessa e era careca, em uma das suas mãos parecia estar segurando algo.

Olhei com mais atenção e vi um gancho, ele não brilhava, nem parecia ameaçador de longe, mas era um gancho que com toda certeza poderia arrancar a carne de qualquer um naquele lugar.

“- Saiam, saiam todos...” – ele gritou, sua voz era grave e parecia o som de um demônio, eu me escondi um pouco mais.
“- Saiam seus bastardos... eu quero sangue essa noite...”

Aquela voz me aterrorizou de tal modo que levantei e corri na direção oposta, como se fugisse do próprio demônio, estava entrando no mato, quando o Ford vermelho me atingiu, sentir minhas costelas quebrando e minha bacia também, como doeu.

O ronco do motor soava em meu ouvido, não conseguia nem pensar direito, a dor, a boca seca, eu queria morrer, ele falou algo para mim, eu respondi sem nem ao menos pensar, implorando pelo amor de Deus que não me matasse.

Ele entrou no carro, a roda estava perto do meu rosto, ouvi o desgraçado passando a marcha, foi a ultima coisa que escutei.... lembro de ter gritado e depois somente a escuridão...

“Você lembra do rosto do dele?” – perguntou o homem de sobretudo marrom
“Claro que eu me lembro, não vou me esquecer”
“Ótimo, vamos atrás dele...”

domingo, 9 de janeiro de 2011

Sangue, Asfalto e um Gancho no Caminhão 3ª Parte


Victor quebrou o vidro do passageiro, não avistou nada, em seguida viu uma pistola apontado em sua direção, o tiro acertou o lado esquerdo do Ford, Victor abriu a porta e acertou bem na testa do maldito. Joe ouviu o corpo caindo do outro lado do Mercedes.

Foi ele que notou a granada sendo lançada por de trás do carro, voando pelo ar como uma pedra arremessada em uma vidraça, ele apontou seu cano cerrado.

“Mire pequeno e erre pequeno, ótimo conselho Mel Gibson!” – pensou ele e atirou torcendo para que a porra não explodisse e estragasse a pintura do carro.

Os estilhaços saíram do cano fumegante, quentes como uma torrada em uma manhã de sábado, Joe mentalizou a “pedra”, Antony no banco de trás olhou a granada e esperou o pior.

Ela alcançou seu ápice e estava caindo quando a força dos estilhaços a empurrou de volta, a granada explodiu no ar estilhaçando tudo que encontrava no caminho, mas não explodiu o Ford, no entanto...

“2.000 mil paus de tinta jogados fora”
Joe virou para sua direita e acertou a outra bala bem na cabeça de outro capanga. Um clarão cobriu seus olhos e o sangue quente escorreu pelo seu rosto

“Pensou que eu não tinha te visto benzinho?”

Victor afastou-se do Ford e acertou o motorista que tentava sair com o carro por entre a porta e seguiu rumo aquele que tinha arremessado a granada, Joe seguiu pelo outro lado, lá estava ele sentado ao lado da roda, ele se viu cercado, de um lado Joe e do outro Victor.

- Larga essa arma! – disse Joe.
- Uma ova! – o capanga virou a arma e meteu uma bala em sua têmpora.

O sangue respingou na roupa de Victor, Joe se aproximou do corpo sem vida, com sua voz rouca e se hálito de tabaco falou:

- Você não vai sair dessa tão fácil...

5. Sangue, Asfalto e um Gancho no Caminhão. 2ª Parte




Butler sabia que tudo tinha chegado ao fim no momento em que aqueles dois homens foram embora aquela noite, seu senhor lhe protegera, Luster lhe tirou das ruas, limpou seu sangue e agora sua vida tinha sentido, servir a um duque, o dinheiro era bom e a maioria do tempo Butler fazia o que mais gostava, “dar porrada”.

Mas naquela noite, fria e com a neve caindo ele sabia, seria seu fim, mas ele estava disposto.

Primeiro a energia foi embora, ele ouviu tiros na final da ladeira, gritos, tudo foi rápido, ele apontou o rifle com mira noturna, viu os corpos dos seguranças caídos, estavam decepados e o sangue se misturava com o gelo.

Buttler passou um bom tempo olhando, quando a energia retornou se deu conta que o agressor já estava dentro da casa de seu senhor. Ele pegou o rifle e correu escada a baixo, seu peso, meio sem jeito, com aquelas calças sociais e sapatos de couro. Fazia mais barulho que um paquiderme em um estouro, ele seguiu pelo corredor chegando à sala, no chão seu senhor estava aos pés de um homem que vestia um terno Armani.

- É melhor o senhor larga essa...

Buttler não pensou duas vezes disparou contra o sujeito...

A bala despedaçou o televisor de plasma, os vidros caíram no rosto de Luster, Buttler olhava atônito, o homem havia desaparecido.

- O Senhor está....
- Nãããooooooooooo! – gritou Luster

Buttler virou-se, sentiu a lamina atravessando sua garganta e viu sua mão cair junto com o rifle, o ar rasgou seu peito, ele sabia que era seu fim, o homem de terno Armani.

- Você não precisava ter feito isso! – falou Luster
- Sim... eu precisava!

Sangue, Asfalto e um Gancho no Caminhão 1ª Parte



O contrato era simples, pegar o pacote, acorrentá-lo se fosse necessário, e retornar a segurança de sua garagem, mas nunca é tão simples. Da muitas coisas que Joe lembrava-se de sua antiga vida, dirigir era a única coisa que lhe proporcionara prazer ao longo de todos aqueles anos, depois de uma carteira cheia de dinheiro, finalmente de uma hora para outra ele ganharia aquela bolada.
Desceu as escadas de sua oficina, Roberto já havia preparado seu Ford, as coisas estavam no porta-malas, preocupo-se em apagar o cigarro antes de entrar no carro, a noite estava tão fria que congelaria até as bolas de um esquimó, Rotton City não ficava no Alaska, mas não parou de nevar aquela noite.
A estrada a sua frente, o acelerador no fundo, era um trajeto de duas horas até o distrito de Yelestorn, pouco importava, ele faria em menos que isso, seu carro respondia como se fosse parte de seu corpo, a estrada molhada pela neve não lhe apresentava dificuldade alguma.
........................
O a taça estava no ponto.
- Eu não faço a mínima ideia de onde Thomas está! Mas é claro que podem ficar a vontade para procurar por ele!
- O senhor tem certeza? – falou Victor com sua voz de locutor, o desgraçado poderia vender picolé a um esquimó, mas Luster manteve-se fiel.
- Claro, foi um prazer à visita dos senhores! Mandem lembranças ao meu amado príncipe.
Antony arrumou seu casaco e puxou um cartão, anos de educação apenas refinaram seus movimentos, aquela situação política deveria chegar a um fim, Antony só queria retomar seus estudos.
- Caso o senhor o encontre antes, aqui está meu telefone, boa noite duque!

Sem mais deliberações, ambos saíram. Luster virou-se para a televisão e começou a medir as conseqüências de sua mentira, Thomas não poderia retornar de modo algum a Rotton City aquela noite, ele pegou o telefone para ligar para Baxter, uma guerra contra o príncipe seria inevitável, mas não aquela noite, a comitiva seria atrasada, se necessário morta, era um sacrifício que Luster estaria disposto a cometer em nome de seu senhor, o ultimo sacrifício feito por amor.

- Chefe eu tirei as balas de um deles, o outro não consegui.
- Tudo bem Butler, tudo bem, pegue o rifle e avise a segurança que não terei mais visitas essa noite, avise que teremos invasores antes do dia raiar.
- Sim senhor.
..............
- O dinheiro foi entregue ao motorista?
- Como o ordenado! – respondeu Cassandra
- Ele sabe quem lhe pagou.
- Sabe apenas o meu nome, como o planejado.
- E quanto ao bando em Yelestorn, estão sobre aviso?
- Sim senhor, tudo está como o planejado.
- E o maldito Nosferatu?
- Está sendo caçado.
- Ótimo, mandem soltar então aquele pobre desgraçado, e vamos torcer para que ele abra o bico.
- Sim senhor!
..............
100 metros...  90  metros...  80 metros... 55 metros... 40 metros.
O Ford 1958 acelerou derretendo a fina camada de gelo no asfalto, Joe sentiu o carro puxar quando girou o carro em sei eixo, a traseira correu um pouco  mais que tinha imaginado, ele rapidamente lembrou-se do peso que carregava no porta-malas.
Ele não se preocupou, mesmo a 80 por hora, o carro e o asfalto molhado lhe ajudariam, o carro estava a menos de 40 metros vindo em sua direção agora, ele acelerou mais um pouco e foi de encontro, o Mercedes virou e ficou entre as duas pistas da estrada.
Joe acelerou, Antony apertou o cinto um pouco mais no banco de trás, Victor assustado fitou o rosto de Joe, era o rosto de um encanador que sabe que joelho retirar para parar o vazamento, o rosto de um matemático ao se deparar com uma função de primeiro grau, isso não lhe deixou com menos medo.
O Ford girou há menos de dois metros do Mercedes, a pista molhado espirrou o a água para o alto, o pneu cantou marcando todo o asfalto, a leve fumaça criada pela fricção subiu por onde a traseira do Ford escorregava, novamente estava de costa para o Mercedes, Antony no banco de trás abaixou-se, Victor sacou sua arma e atirou na direção do Mercedes,  sua traseira riscou a lateral e o parou formando um ângulo de 90 graus, Joe puxou seu cano cerrado  antes mesmo do carro parar de deslizar pela estrada.
“Perfeito, como todo Ford deve ser!”