terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Prelúdio: Olhando além do Véu



23 de Dezembro de 2015, Armazém na 138 Street com 5ª Av, Harlem – Nova York

Do outro lado da rua era visível observar o Harlem Hospital Center, um complexo que ocupa uma quadra inteira no Harlem, no armazém vazio, um homem observa as pessoas entrando e saindo do hospital, ele tem uma cara larga e um olhar quase vazio , ele tem cabelos crespos e traços latinos, um olhar cansado de um homem de mais de 40 anos de estrada, ele apenas observa as pessoas entrando em saindo.
Em um carro velho na parte de baixo do armazém ao lado de um van marrom, com os pneus já gastos Ralph, pensa muito a respeito do que estão fazendo ali naquele momento.
 - Hey Clark, qual é cara o que ta faltando? Já se passaram 15 minutos...
- Calma man, calma, tudo é uma questão de calma! – ele responde acendendo um cigarro velho, na primeira tragada ele sente o gosto amargo de um Lucky Strike passado, mesmo assim ele continua a fumar.
- Então, você vai me dizer o que estamos fazendo aqui?
- Estamos aqui esperando a Leona, ela precisava falar com alguém, algo muito importante!
- Qual é cara?! – Esse lugar é maior zona, a gente nem  devia estar aqui! Ta frio pra cacete!
E estava mesmo, Clark sabia que não deveriam estar nesse lugar, que já deveriam ter saído daí há pelo menos duas horas, mas ela insistiu que precisavam parar naquele lugar para conversar com alguém, então mesmo contra seus instintos de sobrevivência eles pararam.

Ralph estava entediado, abriu a porta de trás da van, para dar uma olhada no pacote...
O pacote tinha um pouco mais de 1,70, pesava uns 80 quilos, estava com um sobretudo velho desbotado e tinha uma tatuagem escrota no meio da testa com um simbolo que Ralph não reconhecia, ele estava acorrentado dos pés a cabeça em uma cadeira de ferro, talvez o único artefato que poderia parar alguém daquele tipo.
Ele fita Ralph....
 - Qual é Ralph, você sabe que já deveriam ter saído daqui, você entende que deveríamos estar todos mortos, que existe algo errado com o tempo e com vocês, na verdade vocês deveriam ser poeira de estrelas nesse momento.

Ralph ri

- Qual é doidão? Vai me dizer de novo a mesma história, a gente sabe bastante sobre a sua raça, sabemos o que andam fazendo, sabemos também que vamos acertar as contas com você.
- Não cara, ta tudo errado, isso já era pra ter acontecido há dezesseis anos atrás, ta tudo atrasado, tem algo  errado com o mundo e você sabe, pode sentir cada partícula se desfazendo por debaixo dessa pele. -  o homem acorrentado arregala bem os olhos para Ralph
- Olha, entoa me conta o que aconteceu?
 - Você quer saber Ralph? Eu te conto, te conto como essa merda todo está errada....

Eu vi além do véu garoto, eu consegui ver além do véu, há mundos paralelos, tudo não passa de um grande jogo e os deuses lançam seus dados sobre nós, eu sei  e você sabe, tudo era para ter acabado em 2002, era o fim do mundo, a criança com a marca da lua nasceu, os assamitas quebraram a maldita maldição, você entende, o milênio virou, mas nada aconteceu, porque as torres gêmeas caíram, você sabia, tudo porque o maldito rebanho mudou o curso da Geheenna, tudo mudou e nosso mundo não acabou, mas vai parar como um carro em alta velocidade que freia...
O que mudou? Então em nossa realidade, posso lhe dizer cinco coisas, um pacto demoníaco em Detroit feito por um vampiro tolo, o despertar de uma rosa em uma cidadizinha no meio-oeste, um demônio desperto – que não deveria ter sido desperto – em 1948 em Londres, um pergaminho trazido do abismo por um louco por poder e um viajante do tempo que roubou os itens do destino.
São tantas realidades que nem sei mais como mostrar, mas pelos menos dois demônios atravessaram para nosso plano nos últimos séculos, mas vou lhe contar, um vampiro chamado Marc Bloch achou que poderia ter o poder dos deuses em sua mão, ele foi dominado e acabou com cinco bandos juntos na cidade de Detroit antes de perder seu corpo completamente, em 2005, a cúpula Sabá escondeu tudo, mas os rumores e ecos do além chegaram, esse evento aconteceu em cinco outras realidades em anos diferentes... em outras isso nunca aconteceu.
A Rosa Dourada desperta em uma cidade no cú do mundo chamada Rottom City, através de manobras de anciões recém despertos em um rodamoinho de magia que impediu o despertar dos antidiluvianos em nossa realidade, isso alterou as relações entre céu e inferno e os mundos dos mortos... Hal Silverstone apenas atrasou o inevitável, quem diria que um membro do Sabá e da Camarilla seriam os freios da locomotiva para o fim do mundo... como sempre a mão do destino sobre nossas vidas.
Mas algo despertou em Los Angeles no ultimo ano, Adaga de Babayaga... Ela viu, ela vive, ela está entre nós como os terrores das ultimas noites, ela tentou avisar Peter Vicent do inevitável, quem é Peter Vicent... você notou como está ficando escasso os Místicos do Abismo, você conta nos dedos.. algo no abismo irá retornar.... é o deus assassinado dos Lasombras, isso é visível, e Peter trouxe a última peça do quebra cabeça, o Pergaminho do Caçador, quem diria, quem diria...
E estamos aqui, eu já vi como essa história termina, mas quem sabe, outra realidade, outro final, há anciões despertando... as dores dos membros se aproximam na noite, uma estrela escarlate ainda brilha no céu... você sabem quem é, todos sabemos, mas ninguém tem coragem de dizer, a semana dos pesadelos aconteceu em 2013, em junho, muita merda aconteceu você sabe... Em outra realidade isso aconteceu em 1999.. ou em 1998, em 2001... Em outras isso nunca aconteceu.
E estamos aqui bem no meio coração do demônio Ralph, e você sabe o que deve fazer, você sente aquele comichão por trás da orelha e mesmo assim você fica.. mesmo assim você insiste... Quem sabe um pouco de sorte... né... O silêncio antes da tempestade, os antediluvianos são reais, eles são reais Ralph, eles estão empurrando a gente como uma corrente marítima empurra um barco a deriva, a gente pode até tentar.. mas só saltando do barco.
A menina com a marca de lua, ela cresceu, ela anda pela terra Ralph...

O vampiro acorrentado derrama um suor de sangue sobre seu corpo, Ralph fecha a porta atrás de sua risada nervosa, seu coração dispara, metade do que ele falou não fazia sentido algum para Ralph, mas ele pode sentir um medo profundo em seu coração, ele pode sentir o que aquele vampiro lhe dizia, ele ouviu falar de uma explosão em Detroit em 2005 que detonou um distrito inteiro – uma área industrial abandonada – seria apenas coincidência??


Ele vira para Clark no alto da janela, enquanto ele fita a janela, Ralph pensa E se for verdade?

terça-feira, 14 de julho de 2015

O FIM?



Pois é galera, a crônica de três anos chegou ao fim! Algumas pontas precisavam ser acertadas.

Como jogadores tivemos João interpretando o Lasombra Peter Vicent, Herbert interpretando William Evans, Gepeto intepretando cara grande Phill e Saulo interpretando El Pablo.

Infelizmente todas a sessões de jogo não foram possíveis de serem traduzidas para cá, até porque dá trabalho pra porra.

É provável que utilizemos um podcast como mecanismo de compartilhar as sessões com todos e todas que desejem.

Há um spin-off a ser lançado nos próximo meses chamado O Diário de Campo de Roberta Allen, uma NPC que foi construída por acaso na crônica que acabou sendo importante no enredo da história, Creio que até dezembro esse spin-off esteja finalizado. Vamos nos aprofundar um pouco mais na história dela, bem como tentar aprofundar um pouco mais no universo da crônica.

Boa parte das história foram fragmentos, algumas não foram acabados é melhor que seja desse jeito, águas passadas não movem moinho certo? Vamos tentar investir em um formato de áudio para as sessões e continuar postando contos curtos - bem curtos mesmo - para acrescentar as sessões.

A próxima crônica que iremos jogar se chama O Jogo de Sangue, irá se passar em Londres no ano de 1845. Não iremos seguir o material oficial a respeito de Londres produzido pela White Wolf, será uma adaptação como foi essa crônica que se passou em Los Angeles.

O Jogo de Sangue é um teste para a construção de um cenário mais autônomo.

Valeu ai quem lê e aguardem mais histórias.

Ultimo Gole - Epílogo


1 de Dezembro de 2013, Domingo. Edifício Vicent`s Tower. Cobertura. 3:00 Am

“Jack, Jack, acorda!”

Jack, ainda tinha parte de seu rosto queimado, depois da crise de abstinência que teve há alguns meses atrás agora ele só consegue dormir com drogas pesadas, ao ouvir a voz por um momento pensa ser seu mestre, novamente lhe chamando. Ele acorda assustado e olha para a poltrona a sua frente.

Está vazia, por um momento ele pensa em Peter Vicent, Jack utilizou todos os meios possíveis para achá-lo, mas sabia que enquanto mortal não seria capaz de acessar os mais perigosos e obscuros labirintos por onde os senhores da noite vagam. Ele começa a chorar, ao mesmo tempo que as dores de seu rosto retornam.

Ele levanta, vai até a sala, quer beber um pouco, ele enche um copo de Jack Daniel’s, respira fundo e senta no sofá, prefere não ascender as luzes, na esperança que seu mestre possa quem sabe aparecer em meio das trevas.

Uma voz suave rompe o silêncio daquele local

“Jack, eu posso me sentar?”

Seu coração dispara por um momento antes de reconhecer e lembra-se de quem é a voz, após um instante ele consegue responder, mesmo não sabendo de onde veio a voz.

“Roberta? É você?”
“Sim Jack”

Por um momento ele pensa está delirando, há mais de dois meses ele não tinha nenhuma notícia de nenhum dos companheiros de seu senhor e finalmente alguém, alguém lhe achou antes que pudesse se entregar ao desespero de uma existência sem notícias.

Roberta se senta em uma poltrona ao lado do sofá onde Jack estava sentado, com seu roupão, ele pode ver a silhueta da jovem talentosa lhe fitando, ele não sabe se ela está sorrindo, mas sabe que se ela o quisesse morto isso teria ocorrido a cinco minutos atrás, fora ela quem o acordou.

Talvez ela trouxesse alguma notícia de...

“Eu precisava conversar com você Jack, sobre a propriedade do bar” – ele sorri um pouco, aos poucos ele lembra o lote localizado na rua St Paul, no lado leste da cidade.

“Roberta, a propriedade foi interditada após os eventos de dois meses atrás, informei que tratou-se de um banho de sangue de uma gangue de drogas no local, que a Vicent Consultoria não dispunha de meios para saber o que houve! Paguei gente para sumir com o que quer que fosse criminoso”

“E os cômodos internos?” – ela fala olhando para a sacada da cobertura, buscando observar as luzes da cidade.

“A explosão de gás ocasionada pelo combate fez com que os bombeiros liberassem mais cedo o local” – Jack fala sorrindo e tomando um gole de sua bebida “Então eu tomei as medidas certas para que deixar intacto, não sei o que causou a explosão dentro bar mesmo”

“Foi eu, uma explosão controlada, não sabia se daria certo, por isso estou perguntando sobre o quanto a estrutura foi afetada” – ela fala, dessa vez olhando para Jack.

“Não faço ideia, há dois meses que não vou lá, se quer cheguei a ir mais fundo para verificar mais coisas... tinha a esperança que alguém aparecesse para me ajudar no que aconteceu”

“Você está falando de Peter não é?”

“Sim”

“Ele não estava no bar, ele na verdade sumiu na noite anterior, ele foi sequestrado”

“Peter me ligou naquela noite, falou onde estava, me fez reservar um jato para ele em uma cidade próxima, mas nunca apareceu, nunca deu notícias, eu continuei tocando os negócios na esperança que ele retornasse. Depois de um tempo enviei um dos contratados dele, um professor com poderes excepcionais em computação e um detetive bom, mas perdemos o rastro dele em algum lugar da cidade de Nova York.”

Roberta abaixa a cabeça um pouco, parece está envolvida por sentimentos, em um misto de tristeza e frustração. Ela se levanta e vai até o bar do apartamento sem acender luz alguma, ela pega um copo e uma garrafa.

“Sabe Jack, eu fico feliz em poder rever você, não foi difícil de te encontrar, precisava conversar com você, vou ficar algumas noites na cidade, tenho assuntos meus para resolver, queria saber se poderia contar com sua ajuda”

Ela retorna com um copo na mão ainda na penumbra que as sombras do quarto fazem.

“Senhorita Roberta, você sempre foi uma boa companhia quando estávamos trabalhando na reconstrução do refúgio do meu senhor, seria um prazer poder lhe ajudar”

“Tome esse gole aqui desse que eu fiz” – ela retira o copo da mão de Jack e lhe entrega outro, ele sente uma atração que até aquele momento ainda não tinha sentido por Roberta, sua voz suave parece tão gostosa de se escutar que Jack é incapaz de negar, toma o gole que lhe é oferecido.

Ele sente um leve sabor familiar, algo misturado a bebida que  faz lembrar um tempo bom, aos poucos Jack olha para seu copo e nota que é sangue, Roberta sorrir.

“Nada está perdido Jack, a noite sempre lhe proporciona uma nova chance, mesmo que seja uma nova chance para morrer”

Em transe Jack não nota seu sangue esvaindo-se enquanto Roberta suga de seu pescoço um gole a mais do que deveria, as sombras parecem se mover em sua direção e as luzes da cidade aos poucos se esvanecem.


Os imortais jamais terão pena dos mortais. 

segunda-feira, 13 de julho de 2015

O Último Gole – Parte 2

28 de Setembro de 2013, 19:00, Sábado. St. Paul Street, East Los Angeles.

Do alto do prédio há duas quadras poderia ser facilmente visto um clarão que rompia entre intervalos que vinha da St Paul Street, mas quem olhasse mais de perto veria um verdadeiro pandemônio, a guerra entre os imortais era severa e altamente sangrenta.
Há cinco minutos atrás nada daquela cena parecia possível, era uma noite de sábado comum, em um bar que está prestes a ser aberto. William tinha acabado de aterrissar de voo vindo de Atlanta, seus olhos fitavam com calma o ambiente, ele poderia sentir a tempestade de fogo que se aproximava, mas todos do bar estavam fitando Isabela que conversava com Phill – que mesmo com seus quase dois metros e meios de altura parecia dominado pela presença carismática de Isbela – ela sorriu na direção de William.

O brujah sentiu o peso daquele sorriso, era como se estivesse adentrando sua alma na forma de uma nevoa, ele sabia que aquele era o sorriso da serpente na direção de sua presa, ele era a presa. O local estava cercado William não sabia de onde viria o primeiro ataque, mas sabia que nãos seria fácil, pensou em como ela conseguiu escapar na Cidade do México, lamentou pela morte de Samantha que com certeza era uma aliada digna.

Lembrou-se do terror que foi enfrentar Lâmina Negra, teve que se controlar para não tomar uma atitude desmedida, enquanto todas essas lembranças percorriam sua mesa, seu corpo  movia-se quase que em um modo automático, ele sentou em uma cadeira em frente a Isabela, ele segurava com sua espada, mesmo sabendo que não poderia fazer nada contra ela, havia um peso sobre sua mão, algo que ele sabia dizer ao certo o que era, não era nada físico.

Ele escutou ela falar sobre as peças que faltavam para o maldito ritual do antigo consorte dela, ouviu sobre alguma coisa relacionada a capela Tremere, sobre obrigações, mas na verdade sua cabeça estava em outro lugar, ele fazia um esforço para se manter concentrado naquilo que havia de mais importante, sua consciência.

Seu corpo concordava com tudo que saia da boca dela, mas sua mente fazia um esforço homérico para romper aquele encantamento. “Eu preciso resistir, não vou ter outra chance”, repetia como um mantra, como uma espécie de oração.

Ele concordou com os termos propostos por Isabela, eles iriam resgatar das mãos dos Tremere a última peça que precisava, levantou-se e foi lhe acompanhando até a porta, quando viu Lâmina Negra, ele se aproximava com cautela na direção de Isabela.

Algo no âmago de sua natureza selvagem rompeu o encantamento, um ódio que somente um guerreiro pode sentir, ele sacou sua espada tão rápido como um raio e decepou a cabeça de Isabela, o corte foi tão rápido e perfeito que lamina se quer sujou-se. De repente diversas sombras se tornaram em gentes, cópias idênticas de Lâmina Negra, ele lançou-se sobre um a um, na esperança de conseguir colocar um fim a toda aquela merda.
.....

Phill arrombou uma porta com um machado de 1,80 metros, após a queda das sombras que enfrentaram, havia sangue para todo lado, enquanto isso ele podia ouvir do lado de forma um verdadeiro pandemônio, balas voando para todos os lados. Ele via uma pessoa preprarando para lançar uma moto “Haley Daivson”  sobre um homem de 1,60, enquanto esse pequeno homem desviava de balas e enfrentava três outros oponentes ao mesmo tempo, do outro lado da rua, dois grupos até armados até os dentes usavam rifles como mangueiras de águas. Não havia tempo para pensar... Se lançou contra os inimigos sejam lá quem forem.

William viu em meio aos tiros outras sombras se formarem, em suas mãos lâminas em chamas, ele sabia que um deles seria o verdadeiro, que não permitira que a morte de Isabela fosse em vão. Ele sabia que aquela era sua luta.

Ele aparou o primeiro golpe de uma das sombras e contra atacou tão rápido que ela se despedaçou sem deixar vestígios, Phill deu um encontro em uma das sombras e girou o machado acertando uma massa gelatinosa que foi se desfazendo, uma granada que foi lançada ao seu lado quase lhe passou desapercebida, jogou seu corpo para trás de um dos carros na rua, a explosão derrubou dois outros membros. Um carro explodiu no fim da rua.

William atacava sem misericórdia qualquer coisa que se move-se em sua direção, Phill se lançou contra os homens armados na calçada atrás do carro que apontaram a arma em sua direção, eles foram mais rápidos e uma rajada de tiros perfurou seu corpo, ele se encostou em um poste enquanto o sangue escorria pelo seu rosto e pescoço.

Outra bomba explodiu ao seu lado, fazendo atravessar uma porta de concreto como se fosse papelão, ele segurou com força um pedaço de ferro que sobrou na parede enquanto se recuperava do dano levado.
....

William atacou o pequeno japonês que desviava de diversas balas e ataques empreendido contra ele, o viu atravessar o corpo de um dos seus aliados com um as mãos, arrancando o coração, atordoado pelo golpe. William girou sua espada na altura do pescoço do maldito que desviou levemente, um segundo ataque de William atingiu o vento, ele flanqueou o corpo dele e desferiu um golpe certeiro, o pequeno japonês desviou e tocou na lamina de William em um ponto específico que despedaçou, os estilhaços atingiram parte do rosto de William, o japonês aproveitou para atacar o peito dele com a mesma intenção de arrancar o coração, William girou o corpo de um modo que desequilibrar-se seu oponente, o japonês manteve-se em pé sem o menor esforço.

William era um artista marcial há anos, ainda não enfrentara um oponente que acerta-se o tempo certo dos movimentos, o japonês revidou, William rolou para fugir, mas não conseguiu esquivar dos fortes chutes que recebeu, ele segurou sua dor, deixou seu sangue ferver a ponto de sua pele ficar avermelhada e em um contra golpe inesperado atravessou sua mão no peito do japonês, os ossos da coluna do japonês estavam nas mãos de William, enquanto o buraco feito pelo braço de William queimava o resto do corpo daquele vampiro.

“Um adversário digno”

Um ataque furtivo empreendido por Phill contra uma das sombras, que pensou ser o verdadeiro Lâmina Negra, se tornou desastrozo. O verdadeiro saltou por cima de um carro e suspendeu Phill com poder telecinético fora do comum, em seguida chamas começaram a cobrir e queimar o corpo de Phill que gritava de dor, enquanto queimava Lâmina se lançou em um golpe final contra Phill.

William usou sua velocidade sobre-humana, juntou uma espada no chão e tentou um ataque pelas costas daquele monstro, ele percebeu a tempo e virou-se, em um piscar de olhos ambos se digladiaram, desviando e amparando o golpes de espada de um dos outros. Ambos estavam no mesmo nível acreditou William, mas Lâmina sabia que isso não era verdade, ele tinha mais habilidade que William, ele desarmou a espada de William em dois movimentos, que novamente queimou seu sangue em um ataque desesperado...a lâmina em chamas de Ravier atravessou o corpo de William no mesmo tempo em que seu punho acertou o pescoço em um golpe tão maciço que a pele de Ravier o Lâmina Negra se desfez.


Ambos caíram.


sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

O Ultimo Gole – Parte 1

 28 de Setembro de 2013, 19:00, Sábado. Em algum lugar de  Brooklyn Heights




Peter abre os olhos com dificuldades, a noite anterior lhe deixou exausto, por muito pouco sua existência não teria chegado ao fim, se não fosse por Louise, que ainda dormia ao seu lado, no porão de uma casa que tomaram a noite passada, por sorte a família inteira estava em casa.
Peter sabia que não era o momento para sentir remorsos, ele lembra da liturgia de sua antiga seita, ele sabe que os humanos foram feitos para serem usados, mas pensa em como Louise também pôde fazer aquilo com aquela família.

“A sede de sangue sempre vence, a besta interior sempre emerge das profundezas”

Ele levanta-se, sua roupa rasgada lhe incomoda muito, ele sobe as escadas com cautela, tudo esta escuro ainda, ele olha na garagem da casa para verificar se há um carro, uma mini-van, provavelmente para as crianças. Por um momento Peter escuta os sons dos risos delas na casa, mas ele se concentra em esquecer, sobe as escadas para o próximo andar onde estão os quartos e vasculha os closets, as roupas masculinas lhe caíram bem, mas são todas baratas.

“Será que minha pele suportará?” – ele sorri.

Troca de roupa lentamente enquanto sua sombra desliza pela parede na direção da janela, ele fica observando a sua sombra, sabe que é mais uma se suas peças, ele se sente muito estranho, é noite de lua crescente, daqui há dois dias será lua cheia, isso lhe deixa muito irritado.

Peter Vicent sente a raiva de ter sido traído pela sua seita, ter sido abandonado, sua raiva maior é ter que viver entre os anarquistas em Los Angeles, no geral um monte de ralé, sente inclusive certa indiferença por Louise, mesmo sendo ela a responsável pela perpetuação de sua existência.

Ele sente uma pressão sobre sua cabeça, ele sabe que não é física, é algo sobrenatural que o deixa inquieto, mas ao mesmo tempo está irritado por saber que ainda não está em segurança.

“Que noite de merda essa”.

Ele senta na cama dos antigos donos da casa, pega o telefone e liga para seu fiel servo.

“Jack, aqui é Peter!”
“Senhor, onde o senhor está?”
“Me escute, preciso de um jatinho, em algum aeroporto clandestino, talvez em New Jersey ou na Pensyvalnia, em qualquer lugar preciso sair daqui da Costa Leste entendeu? Estou em apuros e não posso explicar direito, em algum lugar fora de Nova York.”
“Como o senhor foi parar...”
“Jack porra, faz logo o que estou mandando e me avisa!”
“Senhor, irei providenciar isso logo... estava preocupado”
“Não se preocupe Jack, estarei em breve de volta, assim que providenciar esse jatinho.”
“Tudo bem senhor”

Peter desliga o telefone, enquanto fita uma dança tenebrosa de sua sombra com o vento que sopra as folhas pelo lado de fora, ele parece estar em sincronia com o movimento das folhas de Outono, ele acaba indo para janela fitar a noite.

O frio parece estar mais intenso do que ontem, ele observa as luzes da cidade, ele está em algum lugar do Brooklyn, ele vê os movimentos dos carros e das pessoas, ele quase pode sentir o pulsar do coração de algumas delas, indo de um lado para  o outro, apesar de ser cedo, ele sente o chamado interior, em busca do vitae precioso.

Ele sai da janela e desce as escadas na direção ao porão, Louise ainda está dormindo de bruços e com a roupa toda suja da noite passada, se ainda fosse humana estaria se tremendo de frio, mas apesar de se incomodo, o colchão e a sujeira no qual eles dormiram a noite passada, ainda sim ele fica feliz por estar existindo ainda, apesar do bom senso lhe dizer que seria melhor ficar ali até Louise acordar e depois pegar aquela mini-van  e sair o mais rápido da cidade, ele acha melhor se caçar.

Ele pega o sobretudo azul escuro pendurado no cabide e segue rumo a noite em busca de uma presa.

*******************
Louise acorda sentindo a madeira transpassar seu peito, seu corpo fica imóvel, enquanto a sua frente uma garota com ossos retorcidos no rosto parece sorrir para ela, seus olhos são amarelados causando sensação desconfortável.

“Você matou dois dos nossos sua fudida!”

Louise procura manter a calma, apesar da adaga ter acertado o seu peito próximo ao coração, não acertou, foi muita sorte, mas ele optar por fingir imobilidade temporariamente, para lhe dar uma vantagem de poder vasculhar a mente de seus captores.

“Elonora, precisamos dela viva para pegar o merdinha do Peter”
“Tu ouviu falar que ele era um fudido do alto escalão?”
“Nem tanto Elonora, se fosse do alto escalão a treta não seria com a gente”
“Para o  Detlev estar tão preocupado como ele, algum motivo deve ter”
“Ele deve voltar em breve, vamos armar o plano.”
“Por favor Chass, deixa eu beber o sangue dessa daqui, vai ser tão bom”

Elonora passa a mão na garganta de Louise e aperta um pouco, Louise sente uma pressão, mas mantêm-se imóvel como uma pedra, observando o rosto de Elenora, ela pode sentir o desejo da Tzismice pela diablerie, ela sabe que não é a primeira vez e pode compreender plenamente o desejo dela por seu sangue.

Louise analisa Chass, ele parece ser o líder do bando, há marcas fortes em sua áurea que designa ser uma guerreiro sanguinário, mas altamente controlado, um verdadeiro estrategista, sem muita dificuldade Louise adentra a mente de Chass sem que ele perceba.

Ela sente seus poderes amplificados, talvez tenha alguma relação com a visão que teve no inicio da semana com um Vale onde diversas almas eram sugadas, ela perscruta as lembranças de Chass sem muita dificuldade, sabe que poderá usar isso contra ele no momento certo.

A informação que Louise queria conseguiu, descobriu quem era Detlev e uma maneira de conseguir fugir da cidade e que Vicent ainda não foi pego por eles, ela torce para que ele perceba a armadilha antes de retornar a casa.

Elenora arrasta o corpo de Louise para cima, enquanto outros do seu bando preparam-se para tentar capturar Vicent.
Louise compreender que não terá muita chance, ela começar a deixar fluir o poder do sangue pelo seu corpo, ela precisa reunir força suficiente para derrubar sua captora com um golpe se for necessário, ela precisa avisar a Vicent antes que ele caia na armadilha.

**************

A casa que se localizava em High Brooklyn, em uma rua qualquer estava às escuras desde o dia de ontem, a família Taylor não saiu para os afazeres cotidiano durante o dia, o carro estava parado na garagem, quem passasse pela frente da casa veria apenas uma casa ás escuras como tantas outras. Havia um espaço para varanda, mas os Taylor nunca tiveram dinheiro suficiente para ajeitar, ficando apenas o espaço entre a rua, a escada e as portas da casa.

Apesar de não destoar por inteiro das outras casas, uma pessoa com o mínimo de sensitividade se manteria longe, havia um peso no ar, houve uma morte generalizada na noite passada e os monstros ainda habitavam aquele recinto, a espreita.

Vicent sentiu que algo havia mudado ao parada no beco adjacente em frente a casa, ele estava sentido algo no ar, diferente de quando saiu, a rua tinha vários carros estacionados em frente a suas casas, mas o número de pessoas havia diminuído desde a hora que ele saiu. Os tons da escuridão que Peter aprendeu a ver tão facilmente ao longo dos anos lhe revelaram que havia mais do que tinha deixado.

Ele fitava a casa em um dilema, há alguns meses atrás Peter teria virado as costas e saído desse lugar deixando Louise para trás, não é que ele estivesse apaixonado, mas sabia da importância de Louise e sabia que sozinho não poderia sair da cidade, o que ele estava ponderando era se valeria a pena fazer o que estava prestes a fazer.

Peter olha para o céu nublado, a lua crescente tenta cortar as nuvens e iluminar um pouco o chão de Nova York que não precisa de iluminação, Vicent sente uma brisa vindo da baía, ele lembra-se de um passado remoto, sua irritação parece aumentar na medida em que o vento traz um cheiro de uma tempestade se aproximando.

Ele fita com mais força a casa e continua pensando, sem muito esforço as sombras começam a se reunir no beco as suas costas, ele pode sentir pulsar o coração negro a sua volta.

“Que se foda!”

Peter lança as sombras que permeiam o beco sobre a casa, em uma demonstração de poder que surpreende inclusive ele mesmo, as sombras circulam e adentram a casa como uma tempestade de areia que se move de mod disforme, ela escorre pelos vidros como um liquido tangível e entra pelas frestas como se fosse uma inundação.

Elenora, sente um medo incontrolável ao ver a escuridão tentando invadir o quarto através da janela, se quer percebe que Louise se levantou, com um baque seco e surdo a estava acerta em cheio o peito de Elenora, a estaca transpassa o coração da vampira, que perde os movimentos do seu corpo, Louise a segura como se estivesse dançando, pega a arma que ela segurava e lança o corpo de Elenora pela janela.

O som é abafado pela escuridão que adentra o quarto, Louise se concentra, mesmo já tendo visto Vicent utilizando seu poder, ela sente um medo no fundo de sua consciência,  no entanto se mantém controlada, há um bando inteiro na parte de baixo da casa e sabe que há pelo menos mais cinco na rua.

“Preciso achar Vicent logo!”

****************

Os olhos de Peter Vicent se tornaram negros como as sombras que ele manipulava, três tentáculos se formaram na frente da casa, ele estava aguardando alguém sair, quando do segundo andar um corpo empalado foi lançado na rua, não era Louise, mas ele pode ver quem arremessou, ela estava acuada no quarto no segundo andar da casa.

Ele ordenou que seus tentáculos atacassem, eles romperam a parede de entrada colocando ao chão o que um dia poderia ter sido uma varanda, de dentro dois homens descarregavam uma sub-metralhadora na direção do tentáculo. Um dos tentáculos se esticou um pouco mais e varreu os dois na direção da rua.

Um homem grande acertou três golpes com um bastão metálico que acabou dissipando o terceiro tentáculo e depois lançou na direção do tentáculo que arrancou a parede, alguém lançou um coquetel molotov na direção do tentáculo, o fogo foi apagado antes mesmo atingir a base da massa disforme.
As sombras cobriram esse homem fazendo com que o desespero do abismo tomasse conta dele, ele se enrolou e ficou atônito de medo, as sombras continuavam escorrer pelo corredor da casa, enquanto outros dois tentáculos se estendia na direação do corredor abrindo ainda mais o buraco na frente da casa.

Tiros foram disparados do final da rua na direção das sombras, Peter viu três homens e uma mulher vestidos como membros de gangue atirando a esmo na direção das trevas, as armas eram de grosso calibre, ele podia reconhecer, ele estava em protegido, mas as balas atingiram por sorte ou azar um dos tentáculos que foram se desfazendo, atingiram também os carros na rua, um deles explodiu quebrando as vidraças de outras casa e apagando a luz no quarteirão.

Vicent aproveitou para lançar as sombras sobre eles, de dentro dos boeiros e do alto das casas um manto negro enorme cobriu o grupo que atirava, eles começaram a atirar para todos os lados atingindo inclusive uns aos outros, um deles desapareceu em meio as trevas.

O rosto de Vicent se pudesse ser visto por qualquer pessoa, resplandecia um sorriso de satisfação do pandemônio criado pelas sombras, ele podia sentir o abismo transpassar pelo seu corpo e se estender pela rua, ele se concentrou um pouco mais e invocou os braços do abismo, ele queria causar um verdadeiro estrago, queria demonstrar todo o seu poder.

Infelizmente por uma falta de concentração devida apenas uma braço do abismo surgiu em meio aquela onde sombria que percorria pelos menos uns trinta metros pela rua, Vicent não percebeu a faca entrando em sua nuca por alguém que parecia estar em sua costa, a perfuração foi tão forte que ele perdeu o equilíbrio completamente seu corpo pendeu ao chão em um só abafado pelas sombras, um segundo ataque após ele já estar no chão o fez perder a consciência.

As sombras estavam se dissipando aos poucos, pareciam retornar ao seu lugar de direito, retornando aos esgotos, aos cantos escuros da casa, apesar de não existir energia elétrica, mesmo a escuridão causada por um blackout era mais clara do que as sombras advindas do abismo.

Aos poucos Chass reconheceu os corpos no chão, viu o pescoço quebrado de um dos ajudantes, viu o corpo da Elenora com uma estaca no coração, ao fitar o corpo dela no chão percebeu que Louise deveria ter feito aquilo, ele vira-se na intenção de subir, mas Louise já está ao seu lado, ela acerta um tiro bem no meio da cabeça de Chass com a arma de Elenora, uma sub-metralhadora, ela acerta em um ponto certo uma rajada de balas que separam a cabeça de Chass do lugar.

Ela pega o bastão de metal da mão de Chass e olha na direção do corpo de Vicent, em cima dela a figura horrenda de uma mulher deformada, segurando um terçado com sangue em suas mãos, ela se lança na direção dela, Louise nunca foi uma guerreira mas ela arrisca um golpe, que erra pifiamente.
Lisa não está com sua mascara de trapos revelando o rosto horrendo e pútrido, suas presas saltam para além de seus lábios, há uma deformidade estranha em sua cabeça, como um osso deformado, nas peles que sobram em seu rosto há diversos piercings pendurados, ela sorrir ao ter a chance de atingir Louise, ela desfere um golpe na direção do abdômen de Louise com seu terçado.

Louise ainda lança seu corpo para longe, mas em vão o terçado atinge seu abdômen com uma força devastadora, ela perde totalmente o equilíbrio e sente a força do golpe, Lisa não perde tempo e desfere um segundo golpe com sua mão esquerda no rosto de Louise, ela tenta retirar o rosto do caminho do golpe, mas em vão os ossos de seu rosto saem do lugar lhe deixando ainda mais tonta e desnorteada.

Louise sangra no chão, vendo o mundo inteiro rodar, Lisa atinge sem pensar o pescoço da toreadora separando seu corpo do lugar, em seguida vira-se de volta para Vicent. Ela nota que ele se recuperou um pouco e está preste a levantar.

Lisa atinge uma sequencias de golpes até deixar seu corpo desacordado, o sangue a faz entrar em uma fúria descontrolada cortando o corpo de Vicent até virar uma massa disforme de carne sob a luz de uma lua crescente, ela não para até que os pedaços fiquem irreconhecíveis ao retornar a si pensa.

“Como eu vou explicar isso ao bispo? Que merda!”