1 de Dezembro de 2013, Domingo. Edifício Vicent`s Tower.
Cobertura. 3:00 Am
“Jack, Jack, acorda!”
Jack, ainda tinha parte de seu rosto queimado, depois da
crise de abstinência que teve há alguns meses atrás agora ele só consegue
dormir com drogas pesadas, ao ouvir a voz por um momento pensa ser seu mestre,
novamente lhe chamando. Ele acorda assustado e olha para a poltrona a sua
frente.
Está vazia, por um momento ele pensa em Peter Vicent, Jack utilizou todos os meios possíveis para achá-lo, mas sabia que enquanto mortal não seria capaz de acessar os mais perigosos e obscuros labirintos por onde os senhores da noite vagam. Ele começa a chorar, ao mesmo tempo que as dores de seu rosto retornam.
Ele levanta, vai até a sala, quer beber um pouco, ele enche
um copo de Jack Daniel’s, respira fundo e senta no sofá, prefere não ascender
as luzes, na esperança que seu mestre possa quem sabe aparecer em meio das
trevas.
Uma voz suave rompe o silêncio daquele local
“Jack, eu posso me sentar?”
Seu coração dispara por um momento antes de reconhecer e
lembra-se de quem é a voz, após um instante ele consegue responder, mesmo não
sabendo de onde veio a voz.
“Roberta? É você?”
“Sim Jack”
Por um momento ele pensa está delirando, há mais de dois meses ele não tinha nenhuma notícia de nenhum dos companheiros de seu senhor e
finalmente alguém, alguém lhe achou antes que pudesse se entregar ao desespero
de uma existência sem notícias.
Roberta se senta em uma poltrona ao lado do sofá onde Jack
estava sentado, com seu roupão, ele pode ver a silhueta da jovem talentosa lhe
fitando, ele não sabe se ela está sorrindo, mas sabe que se ela o quisesse
morto isso teria ocorrido a cinco minutos atrás, fora ela quem o acordou.
Talvez ela trouxesse alguma notícia de...
“Eu precisava conversar com você Jack, sobre a propriedade
do bar” – ele sorri um pouco, aos poucos ele lembra o lote localizado na rua St
Paul, no lado leste da cidade.
“Roberta, a propriedade foi interditada após os eventos de dois meses atrás, informei que tratou-se de um banho de sangue de uma gangue de
drogas no local, que a Vicent Consultoria não dispunha de meios para saber o
que houve! Paguei gente para sumir com o que quer que fosse criminoso”
“E os cômodos internos?” – ela fala olhando para a sacada da
cobertura, buscando observar as luzes da cidade.
“A explosão de gás ocasionada pelo combate fez com que os
bombeiros liberassem mais cedo o local” – Jack fala sorrindo e tomando um gole
de sua bebida “Então eu tomei as medidas certas para que deixar intacto, não
sei o que causou a explosão dentro bar mesmo”
“Foi eu, uma explosão controlada, não sabia se daria certo,
por isso estou perguntando sobre o quanto a estrutura foi afetada” – ela fala,
dessa vez olhando para Jack.
“Não faço ideia, há dois meses que não vou lá, se quer
cheguei a ir mais fundo para verificar mais coisas... tinha a esperança que
alguém aparecesse para me ajudar no que aconteceu”
“Você está falando de Peter não é?”
“Sim”
“Ele não estava no bar, ele na verdade sumiu na noite
anterior, ele foi sequestrado”
“Peter me ligou naquela noite, falou onde estava, me fez
reservar um jato para ele em uma cidade próxima, mas nunca apareceu, nunca deu
notícias, eu continuei tocando os negócios na esperança que ele retornasse. Depois
de um tempo enviei um dos contratados dele, um professor com poderes
excepcionais em computação e um detetive bom, mas perdemos o rastro dele em
algum lugar da cidade de Nova York.”
Roberta abaixa a cabeça um pouco, parece está envolvida por
sentimentos, em um misto de tristeza e frustração. Ela se levanta e vai até o
bar do apartamento sem acender luz alguma, ela pega um copo e uma garrafa.
“Sabe Jack, eu fico feliz em poder rever você, não foi
difícil de te encontrar, precisava conversar com você, vou ficar algumas noites
na cidade, tenho assuntos meus para resolver, queria saber se poderia contar
com sua ajuda”
Ela retorna com um copo na mão ainda na penumbra que as
sombras do quarto fazem.
“Senhorita Roberta, você sempre foi uma boa companhia quando
estávamos trabalhando na reconstrução do refúgio do meu senhor, seria um prazer
poder lhe ajudar”
“Tome esse gole aqui desse que eu fiz” – ela retira o copo
da mão de Jack e lhe entrega outro, ele sente uma atração que até aquele
momento ainda não tinha sentido por Roberta, sua voz suave parece tão gostosa
de se escutar que Jack é incapaz de negar, toma o gole que lhe é oferecido.
Ele sente um leve sabor familiar, algo misturado a bebida
que faz lembrar um tempo bom, aos poucos
Jack olha para seu copo e nota que é sangue, Roberta sorrir.
“Nada está perdido Jack, a noite sempre lhe proporciona uma
nova chance, mesmo que seja uma nova chance para morrer”
Em transe Jack não nota seu sangue esvaindo-se enquanto
Roberta suga de seu pescoço um gole a mais do que deveria, as sombras parecem
se mover em sua direção e as luzes da cidade aos poucos se esvanecem.
Os imortais jamais terão pena dos mortais.
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