terça-feira, 14 de julho de 2015

O FIM?



Pois é galera, a crônica de três anos chegou ao fim! Algumas pontas precisavam ser acertadas.

Como jogadores tivemos João interpretando o Lasombra Peter Vicent, Herbert interpretando William Evans, Gepeto intepretando cara grande Phill e Saulo interpretando El Pablo.

Infelizmente todas a sessões de jogo não foram possíveis de serem traduzidas para cá, até porque dá trabalho pra porra.

É provável que utilizemos um podcast como mecanismo de compartilhar as sessões com todos e todas que desejem.

Há um spin-off a ser lançado nos próximo meses chamado O Diário de Campo de Roberta Allen, uma NPC que foi construída por acaso na crônica que acabou sendo importante no enredo da história, Creio que até dezembro esse spin-off esteja finalizado. Vamos nos aprofundar um pouco mais na história dela, bem como tentar aprofundar um pouco mais no universo da crônica.

Boa parte das história foram fragmentos, algumas não foram acabados é melhor que seja desse jeito, águas passadas não movem moinho certo? Vamos tentar investir em um formato de áudio para as sessões e continuar postando contos curtos - bem curtos mesmo - para acrescentar as sessões.

A próxima crônica que iremos jogar se chama O Jogo de Sangue, irá se passar em Londres no ano de 1845. Não iremos seguir o material oficial a respeito de Londres produzido pela White Wolf, será uma adaptação como foi essa crônica que se passou em Los Angeles.

O Jogo de Sangue é um teste para a construção de um cenário mais autônomo.

Valeu ai quem lê e aguardem mais histórias.

Ultimo Gole - Epílogo


1 de Dezembro de 2013, Domingo. Edifício Vicent`s Tower. Cobertura. 3:00 Am

“Jack, Jack, acorda!”

Jack, ainda tinha parte de seu rosto queimado, depois da crise de abstinência que teve há alguns meses atrás agora ele só consegue dormir com drogas pesadas, ao ouvir a voz por um momento pensa ser seu mestre, novamente lhe chamando. Ele acorda assustado e olha para a poltrona a sua frente.

Está vazia, por um momento ele pensa em Peter Vicent, Jack utilizou todos os meios possíveis para achá-lo, mas sabia que enquanto mortal não seria capaz de acessar os mais perigosos e obscuros labirintos por onde os senhores da noite vagam. Ele começa a chorar, ao mesmo tempo que as dores de seu rosto retornam.

Ele levanta, vai até a sala, quer beber um pouco, ele enche um copo de Jack Daniel’s, respira fundo e senta no sofá, prefere não ascender as luzes, na esperança que seu mestre possa quem sabe aparecer em meio das trevas.

Uma voz suave rompe o silêncio daquele local

“Jack, eu posso me sentar?”

Seu coração dispara por um momento antes de reconhecer e lembra-se de quem é a voz, após um instante ele consegue responder, mesmo não sabendo de onde veio a voz.

“Roberta? É você?”
“Sim Jack”

Por um momento ele pensa está delirando, há mais de dois meses ele não tinha nenhuma notícia de nenhum dos companheiros de seu senhor e finalmente alguém, alguém lhe achou antes que pudesse se entregar ao desespero de uma existência sem notícias.

Roberta se senta em uma poltrona ao lado do sofá onde Jack estava sentado, com seu roupão, ele pode ver a silhueta da jovem talentosa lhe fitando, ele não sabe se ela está sorrindo, mas sabe que se ela o quisesse morto isso teria ocorrido a cinco minutos atrás, fora ela quem o acordou.

Talvez ela trouxesse alguma notícia de...

“Eu precisava conversar com você Jack, sobre a propriedade do bar” – ele sorri um pouco, aos poucos ele lembra o lote localizado na rua St Paul, no lado leste da cidade.

“Roberta, a propriedade foi interditada após os eventos de dois meses atrás, informei que tratou-se de um banho de sangue de uma gangue de drogas no local, que a Vicent Consultoria não dispunha de meios para saber o que houve! Paguei gente para sumir com o que quer que fosse criminoso”

“E os cômodos internos?” – ela fala olhando para a sacada da cobertura, buscando observar as luzes da cidade.

“A explosão de gás ocasionada pelo combate fez com que os bombeiros liberassem mais cedo o local” – Jack fala sorrindo e tomando um gole de sua bebida “Então eu tomei as medidas certas para que deixar intacto, não sei o que causou a explosão dentro bar mesmo”

“Foi eu, uma explosão controlada, não sabia se daria certo, por isso estou perguntando sobre o quanto a estrutura foi afetada” – ela fala, dessa vez olhando para Jack.

“Não faço ideia, há dois meses que não vou lá, se quer cheguei a ir mais fundo para verificar mais coisas... tinha a esperança que alguém aparecesse para me ajudar no que aconteceu”

“Você está falando de Peter não é?”

“Sim”

“Ele não estava no bar, ele na verdade sumiu na noite anterior, ele foi sequestrado”

“Peter me ligou naquela noite, falou onde estava, me fez reservar um jato para ele em uma cidade próxima, mas nunca apareceu, nunca deu notícias, eu continuei tocando os negócios na esperança que ele retornasse. Depois de um tempo enviei um dos contratados dele, um professor com poderes excepcionais em computação e um detetive bom, mas perdemos o rastro dele em algum lugar da cidade de Nova York.”

Roberta abaixa a cabeça um pouco, parece está envolvida por sentimentos, em um misto de tristeza e frustração. Ela se levanta e vai até o bar do apartamento sem acender luz alguma, ela pega um copo e uma garrafa.

“Sabe Jack, eu fico feliz em poder rever você, não foi difícil de te encontrar, precisava conversar com você, vou ficar algumas noites na cidade, tenho assuntos meus para resolver, queria saber se poderia contar com sua ajuda”

Ela retorna com um copo na mão ainda na penumbra que as sombras do quarto fazem.

“Senhorita Roberta, você sempre foi uma boa companhia quando estávamos trabalhando na reconstrução do refúgio do meu senhor, seria um prazer poder lhe ajudar”

“Tome esse gole aqui desse que eu fiz” – ela retira o copo da mão de Jack e lhe entrega outro, ele sente uma atração que até aquele momento ainda não tinha sentido por Roberta, sua voz suave parece tão gostosa de se escutar que Jack é incapaz de negar, toma o gole que lhe é oferecido.

Ele sente um leve sabor familiar, algo misturado a bebida que  faz lembrar um tempo bom, aos poucos Jack olha para seu copo e nota que é sangue, Roberta sorrir.

“Nada está perdido Jack, a noite sempre lhe proporciona uma nova chance, mesmo que seja uma nova chance para morrer”

Em transe Jack não nota seu sangue esvaindo-se enquanto Roberta suga de seu pescoço um gole a mais do que deveria, as sombras parecem se mover em sua direção e as luzes da cidade aos poucos se esvanecem.


Os imortais jamais terão pena dos mortais. 

segunda-feira, 13 de julho de 2015

O Último Gole – Parte 2

28 de Setembro de 2013, 19:00, Sábado. St. Paul Street, East Los Angeles.

Do alto do prédio há duas quadras poderia ser facilmente visto um clarão que rompia entre intervalos que vinha da St Paul Street, mas quem olhasse mais de perto veria um verdadeiro pandemônio, a guerra entre os imortais era severa e altamente sangrenta.
Há cinco minutos atrás nada daquela cena parecia possível, era uma noite de sábado comum, em um bar que está prestes a ser aberto. William tinha acabado de aterrissar de voo vindo de Atlanta, seus olhos fitavam com calma o ambiente, ele poderia sentir a tempestade de fogo que se aproximava, mas todos do bar estavam fitando Isabela que conversava com Phill – que mesmo com seus quase dois metros e meios de altura parecia dominado pela presença carismática de Isbela – ela sorriu na direção de William.

O brujah sentiu o peso daquele sorriso, era como se estivesse adentrando sua alma na forma de uma nevoa, ele sabia que aquele era o sorriso da serpente na direção de sua presa, ele era a presa. O local estava cercado William não sabia de onde viria o primeiro ataque, mas sabia que nãos seria fácil, pensou em como ela conseguiu escapar na Cidade do México, lamentou pela morte de Samantha que com certeza era uma aliada digna.

Lembrou-se do terror que foi enfrentar Lâmina Negra, teve que se controlar para não tomar uma atitude desmedida, enquanto todas essas lembranças percorriam sua mesa, seu corpo  movia-se quase que em um modo automático, ele sentou em uma cadeira em frente a Isabela, ele segurava com sua espada, mesmo sabendo que não poderia fazer nada contra ela, havia um peso sobre sua mão, algo que ele sabia dizer ao certo o que era, não era nada físico.

Ele escutou ela falar sobre as peças que faltavam para o maldito ritual do antigo consorte dela, ouviu sobre alguma coisa relacionada a capela Tremere, sobre obrigações, mas na verdade sua cabeça estava em outro lugar, ele fazia um esforço para se manter concentrado naquilo que havia de mais importante, sua consciência.

Seu corpo concordava com tudo que saia da boca dela, mas sua mente fazia um esforço homérico para romper aquele encantamento. “Eu preciso resistir, não vou ter outra chance”, repetia como um mantra, como uma espécie de oração.

Ele concordou com os termos propostos por Isabela, eles iriam resgatar das mãos dos Tremere a última peça que precisava, levantou-se e foi lhe acompanhando até a porta, quando viu Lâmina Negra, ele se aproximava com cautela na direção de Isabela.

Algo no âmago de sua natureza selvagem rompeu o encantamento, um ódio que somente um guerreiro pode sentir, ele sacou sua espada tão rápido como um raio e decepou a cabeça de Isabela, o corte foi tão rápido e perfeito que lamina se quer sujou-se. De repente diversas sombras se tornaram em gentes, cópias idênticas de Lâmina Negra, ele lançou-se sobre um a um, na esperança de conseguir colocar um fim a toda aquela merda.
.....

Phill arrombou uma porta com um machado de 1,80 metros, após a queda das sombras que enfrentaram, havia sangue para todo lado, enquanto isso ele podia ouvir do lado de forma um verdadeiro pandemônio, balas voando para todos os lados. Ele via uma pessoa preprarando para lançar uma moto “Haley Daivson”  sobre um homem de 1,60, enquanto esse pequeno homem desviava de balas e enfrentava três outros oponentes ao mesmo tempo, do outro lado da rua, dois grupos até armados até os dentes usavam rifles como mangueiras de águas. Não havia tempo para pensar... Se lançou contra os inimigos sejam lá quem forem.

William viu em meio aos tiros outras sombras se formarem, em suas mãos lâminas em chamas, ele sabia que um deles seria o verdadeiro, que não permitira que a morte de Isabela fosse em vão. Ele sabia que aquela era sua luta.

Ele aparou o primeiro golpe de uma das sombras e contra atacou tão rápido que ela se despedaçou sem deixar vestígios, Phill deu um encontro em uma das sombras e girou o machado acertando uma massa gelatinosa que foi se desfazendo, uma granada que foi lançada ao seu lado quase lhe passou desapercebida, jogou seu corpo para trás de um dos carros na rua, a explosão derrubou dois outros membros. Um carro explodiu no fim da rua.

William atacava sem misericórdia qualquer coisa que se move-se em sua direção, Phill se lançou contra os homens armados na calçada atrás do carro que apontaram a arma em sua direção, eles foram mais rápidos e uma rajada de tiros perfurou seu corpo, ele se encostou em um poste enquanto o sangue escorria pelo seu rosto e pescoço.

Outra bomba explodiu ao seu lado, fazendo atravessar uma porta de concreto como se fosse papelão, ele segurou com força um pedaço de ferro que sobrou na parede enquanto se recuperava do dano levado.
....

William atacou o pequeno japonês que desviava de diversas balas e ataques empreendido contra ele, o viu atravessar o corpo de um dos seus aliados com um as mãos, arrancando o coração, atordoado pelo golpe. William girou sua espada na altura do pescoço do maldito que desviou levemente, um segundo ataque de William atingiu o vento, ele flanqueou o corpo dele e desferiu um golpe certeiro, o pequeno japonês desviou e tocou na lamina de William em um ponto específico que despedaçou, os estilhaços atingiram parte do rosto de William, o japonês aproveitou para atacar o peito dele com a mesma intenção de arrancar o coração, William girou o corpo de um modo que desequilibrar-se seu oponente, o japonês manteve-se em pé sem o menor esforço.

William era um artista marcial há anos, ainda não enfrentara um oponente que acerta-se o tempo certo dos movimentos, o japonês revidou, William rolou para fugir, mas não conseguiu esquivar dos fortes chutes que recebeu, ele segurou sua dor, deixou seu sangue ferver a ponto de sua pele ficar avermelhada e em um contra golpe inesperado atravessou sua mão no peito do japonês, os ossos da coluna do japonês estavam nas mãos de William, enquanto o buraco feito pelo braço de William queimava o resto do corpo daquele vampiro.

“Um adversário digno”

Um ataque furtivo empreendido por Phill contra uma das sombras, que pensou ser o verdadeiro Lâmina Negra, se tornou desastrozo. O verdadeiro saltou por cima de um carro e suspendeu Phill com poder telecinético fora do comum, em seguida chamas começaram a cobrir e queimar o corpo de Phill que gritava de dor, enquanto queimava Lâmina se lançou em um golpe final contra Phill.

William usou sua velocidade sobre-humana, juntou uma espada no chão e tentou um ataque pelas costas daquele monstro, ele percebeu a tempo e virou-se, em um piscar de olhos ambos se digladiaram, desviando e amparando o golpes de espada de um dos outros. Ambos estavam no mesmo nível acreditou William, mas Lâmina sabia que isso não era verdade, ele tinha mais habilidade que William, ele desarmou a espada de William em dois movimentos, que novamente queimou seu sangue em um ataque desesperado...a lâmina em chamas de Ravier atravessou o corpo de William no mesmo tempo em que seu punho acertou o pescoço em um golpe tão maciço que a pele de Ravier o Lâmina Negra se desfez.


Ambos caíram.