sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

O Ultimo Gole – Parte 1

 28 de Setembro de 2013, 19:00, Sábado. Em algum lugar de  Brooklyn Heights




Peter abre os olhos com dificuldades, a noite anterior lhe deixou exausto, por muito pouco sua existência não teria chegado ao fim, se não fosse por Louise, que ainda dormia ao seu lado, no porão de uma casa que tomaram a noite passada, por sorte a família inteira estava em casa.
Peter sabia que não era o momento para sentir remorsos, ele lembra da liturgia de sua antiga seita, ele sabe que os humanos foram feitos para serem usados, mas pensa em como Louise também pôde fazer aquilo com aquela família.

“A sede de sangue sempre vence, a besta interior sempre emerge das profundezas”

Ele levanta-se, sua roupa rasgada lhe incomoda muito, ele sobe as escadas com cautela, tudo esta escuro ainda, ele olha na garagem da casa para verificar se há um carro, uma mini-van, provavelmente para as crianças. Por um momento Peter escuta os sons dos risos delas na casa, mas ele se concentra em esquecer, sobe as escadas para o próximo andar onde estão os quartos e vasculha os closets, as roupas masculinas lhe caíram bem, mas são todas baratas.

“Será que minha pele suportará?” – ele sorri.

Troca de roupa lentamente enquanto sua sombra desliza pela parede na direção da janela, ele fica observando a sua sombra, sabe que é mais uma se suas peças, ele se sente muito estranho, é noite de lua crescente, daqui há dois dias será lua cheia, isso lhe deixa muito irritado.

Peter Vicent sente a raiva de ter sido traído pela sua seita, ter sido abandonado, sua raiva maior é ter que viver entre os anarquistas em Los Angeles, no geral um monte de ralé, sente inclusive certa indiferença por Louise, mesmo sendo ela a responsável pela perpetuação de sua existência.

Ele sente uma pressão sobre sua cabeça, ele sabe que não é física, é algo sobrenatural que o deixa inquieto, mas ao mesmo tempo está irritado por saber que ainda não está em segurança.

“Que noite de merda essa”.

Ele senta na cama dos antigos donos da casa, pega o telefone e liga para seu fiel servo.

“Jack, aqui é Peter!”
“Senhor, onde o senhor está?”
“Me escute, preciso de um jatinho, em algum aeroporto clandestino, talvez em New Jersey ou na Pensyvalnia, em qualquer lugar preciso sair daqui da Costa Leste entendeu? Estou em apuros e não posso explicar direito, em algum lugar fora de Nova York.”
“Como o senhor foi parar...”
“Jack porra, faz logo o que estou mandando e me avisa!”
“Senhor, irei providenciar isso logo... estava preocupado”
“Não se preocupe Jack, estarei em breve de volta, assim que providenciar esse jatinho.”
“Tudo bem senhor”

Peter desliga o telefone, enquanto fita uma dança tenebrosa de sua sombra com o vento que sopra as folhas pelo lado de fora, ele parece estar em sincronia com o movimento das folhas de Outono, ele acaba indo para janela fitar a noite.

O frio parece estar mais intenso do que ontem, ele observa as luzes da cidade, ele está em algum lugar do Brooklyn, ele vê os movimentos dos carros e das pessoas, ele quase pode sentir o pulsar do coração de algumas delas, indo de um lado para  o outro, apesar de ser cedo, ele sente o chamado interior, em busca do vitae precioso.

Ele sai da janela e desce as escadas na direção ao porão, Louise ainda está dormindo de bruços e com a roupa toda suja da noite passada, se ainda fosse humana estaria se tremendo de frio, mas apesar de se incomodo, o colchão e a sujeira no qual eles dormiram a noite passada, ainda sim ele fica feliz por estar existindo ainda, apesar do bom senso lhe dizer que seria melhor ficar ali até Louise acordar e depois pegar aquela mini-van  e sair o mais rápido da cidade, ele acha melhor se caçar.

Ele pega o sobretudo azul escuro pendurado no cabide e segue rumo a noite em busca de uma presa.

*******************
Louise acorda sentindo a madeira transpassar seu peito, seu corpo fica imóvel, enquanto a sua frente uma garota com ossos retorcidos no rosto parece sorrir para ela, seus olhos são amarelados causando sensação desconfortável.

“Você matou dois dos nossos sua fudida!”

Louise procura manter a calma, apesar da adaga ter acertado o seu peito próximo ao coração, não acertou, foi muita sorte, mas ele optar por fingir imobilidade temporariamente, para lhe dar uma vantagem de poder vasculhar a mente de seus captores.

“Elonora, precisamos dela viva para pegar o merdinha do Peter”
“Tu ouviu falar que ele era um fudido do alto escalão?”
“Nem tanto Elonora, se fosse do alto escalão a treta não seria com a gente”
“Para o  Detlev estar tão preocupado como ele, algum motivo deve ter”
“Ele deve voltar em breve, vamos armar o plano.”
“Por favor Chass, deixa eu beber o sangue dessa daqui, vai ser tão bom”

Elonora passa a mão na garganta de Louise e aperta um pouco, Louise sente uma pressão, mas mantêm-se imóvel como uma pedra, observando o rosto de Elenora, ela pode sentir o desejo da Tzismice pela diablerie, ela sabe que não é a primeira vez e pode compreender plenamente o desejo dela por seu sangue.

Louise analisa Chass, ele parece ser o líder do bando, há marcas fortes em sua áurea que designa ser uma guerreiro sanguinário, mas altamente controlado, um verdadeiro estrategista, sem muita dificuldade Louise adentra a mente de Chass sem que ele perceba.

Ela sente seus poderes amplificados, talvez tenha alguma relação com a visão que teve no inicio da semana com um Vale onde diversas almas eram sugadas, ela perscruta as lembranças de Chass sem muita dificuldade, sabe que poderá usar isso contra ele no momento certo.

A informação que Louise queria conseguiu, descobriu quem era Detlev e uma maneira de conseguir fugir da cidade e que Vicent ainda não foi pego por eles, ela torce para que ele perceba a armadilha antes de retornar a casa.

Elenora arrasta o corpo de Louise para cima, enquanto outros do seu bando preparam-se para tentar capturar Vicent.
Louise compreender que não terá muita chance, ela começar a deixar fluir o poder do sangue pelo seu corpo, ela precisa reunir força suficiente para derrubar sua captora com um golpe se for necessário, ela precisa avisar a Vicent antes que ele caia na armadilha.

**************

A casa que se localizava em High Brooklyn, em uma rua qualquer estava às escuras desde o dia de ontem, a família Taylor não saiu para os afazeres cotidiano durante o dia, o carro estava parado na garagem, quem passasse pela frente da casa veria apenas uma casa ás escuras como tantas outras. Havia um espaço para varanda, mas os Taylor nunca tiveram dinheiro suficiente para ajeitar, ficando apenas o espaço entre a rua, a escada e as portas da casa.

Apesar de não destoar por inteiro das outras casas, uma pessoa com o mínimo de sensitividade se manteria longe, havia um peso no ar, houve uma morte generalizada na noite passada e os monstros ainda habitavam aquele recinto, a espreita.

Vicent sentiu que algo havia mudado ao parada no beco adjacente em frente a casa, ele estava sentido algo no ar, diferente de quando saiu, a rua tinha vários carros estacionados em frente a suas casas, mas o número de pessoas havia diminuído desde a hora que ele saiu. Os tons da escuridão que Peter aprendeu a ver tão facilmente ao longo dos anos lhe revelaram que havia mais do que tinha deixado.

Ele fitava a casa em um dilema, há alguns meses atrás Peter teria virado as costas e saído desse lugar deixando Louise para trás, não é que ele estivesse apaixonado, mas sabia da importância de Louise e sabia que sozinho não poderia sair da cidade, o que ele estava ponderando era se valeria a pena fazer o que estava prestes a fazer.

Peter olha para o céu nublado, a lua crescente tenta cortar as nuvens e iluminar um pouco o chão de Nova York que não precisa de iluminação, Vicent sente uma brisa vindo da baía, ele lembra-se de um passado remoto, sua irritação parece aumentar na medida em que o vento traz um cheiro de uma tempestade se aproximando.

Ele fita com mais força a casa e continua pensando, sem muito esforço as sombras começam a se reunir no beco as suas costas, ele pode sentir pulsar o coração negro a sua volta.

“Que se foda!”

Peter lança as sombras que permeiam o beco sobre a casa, em uma demonstração de poder que surpreende inclusive ele mesmo, as sombras circulam e adentram a casa como uma tempestade de areia que se move de mod disforme, ela escorre pelos vidros como um liquido tangível e entra pelas frestas como se fosse uma inundação.

Elenora, sente um medo incontrolável ao ver a escuridão tentando invadir o quarto através da janela, se quer percebe que Louise se levantou, com um baque seco e surdo a estava acerta em cheio o peito de Elenora, a estaca transpassa o coração da vampira, que perde os movimentos do seu corpo, Louise a segura como se estivesse dançando, pega a arma que ela segurava e lança o corpo de Elenora pela janela.

O som é abafado pela escuridão que adentra o quarto, Louise se concentra, mesmo já tendo visto Vicent utilizando seu poder, ela sente um medo no fundo de sua consciência,  no entanto se mantém controlada, há um bando inteiro na parte de baixo da casa e sabe que há pelo menos mais cinco na rua.

“Preciso achar Vicent logo!”

****************

Os olhos de Peter Vicent se tornaram negros como as sombras que ele manipulava, três tentáculos se formaram na frente da casa, ele estava aguardando alguém sair, quando do segundo andar um corpo empalado foi lançado na rua, não era Louise, mas ele pode ver quem arremessou, ela estava acuada no quarto no segundo andar da casa.

Ele ordenou que seus tentáculos atacassem, eles romperam a parede de entrada colocando ao chão o que um dia poderia ter sido uma varanda, de dentro dois homens descarregavam uma sub-metralhadora na direção do tentáculo. Um dos tentáculos se esticou um pouco mais e varreu os dois na direção da rua.

Um homem grande acertou três golpes com um bastão metálico que acabou dissipando o terceiro tentáculo e depois lançou na direção do tentáculo que arrancou a parede, alguém lançou um coquetel molotov na direção do tentáculo, o fogo foi apagado antes mesmo atingir a base da massa disforme.
As sombras cobriram esse homem fazendo com que o desespero do abismo tomasse conta dele, ele se enrolou e ficou atônito de medo, as sombras continuavam escorrer pelo corredor da casa, enquanto outros dois tentáculos se estendia na direação do corredor abrindo ainda mais o buraco na frente da casa.

Tiros foram disparados do final da rua na direção das sombras, Peter viu três homens e uma mulher vestidos como membros de gangue atirando a esmo na direção das trevas, as armas eram de grosso calibre, ele podia reconhecer, ele estava em protegido, mas as balas atingiram por sorte ou azar um dos tentáculos que foram se desfazendo, atingiram também os carros na rua, um deles explodiu quebrando as vidraças de outras casa e apagando a luz no quarteirão.

Vicent aproveitou para lançar as sombras sobre eles, de dentro dos boeiros e do alto das casas um manto negro enorme cobriu o grupo que atirava, eles começaram a atirar para todos os lados atingindo inclusive uns aos outros, um deles desapareceu em meio as trevas.

O rosto de Vicent se pudesse ser visto por qualquer pessoa, resplandecia um sorriso de satisfação do pandemônio criado pelas sombras, ele podia sentir o abismo transpassar pelo seu corpo e se estender pela rua, ele se concentrou um pouco mais e invocou os braços do abismo, ele queria causar um verdadeiro estrago, queria demonstrar todo o seu poder.

Infelizmente por uma falta de concentração devida apenas uma braço do abismo surgiu em meio aquela onde sombria que percorria pelos menos uns trinta metros pela rua, Vicent não percebeu a faca entrando em sua nuca por alguém que parecia estar em sua costa, a perfuração foi tão forte que ele perdeu o equilíbrio completamente seu corpo pendeu ao chão em um só abafado pelas sombras, um segundo ataque após ele já estar no chão o fez perder a consciência.

As sombras estavam se dissipando aos poucos, pareciam retornar ao seu lugar de direito, retornando aos esgotos, aos cantos escuros da casa, apesar de não existir energia elétrica, mesmo a escuridão causada por um blackout era mais clara do que as sombras advindas do abismo.

Aos poucos Chass reconheceu os corpos no chão, viu o pescoço quebrado de um dos ajudantes, viu o corpo da Elenora com uma estaca no coração, ao fitar o corpo dela no chão percebeu que Louise deveria ter feito aquilo, ele vira-se na intenção de subir, mas Louise já está ao seu lado, ela acerta um tiro bem no meio da cabeça de Chass com a arma de Elenora, uma sub-metralhadora, ela acerta em um ponto certo uma rajada de balas que separam a cabeça de Chass do lugar.

Ela pega o bastão de metal da mão de Chass e olha na direção do corpo de Vicent, em cima dela a figura horrenda de uma mulher deformada, segurando um terçado com sangue em suas mãos, ela se lança na direção dela, Louise nunca foi uma guerreira mas ela arrisca um golpe, que erra pifiamente.
Lisa não está com sua mascara de trapos revelando o rosto horrendo e pútrido, suas presas saltam para além de seus lábios, há uma deformidade estranha em sua cabeça, como um osso deformado, nas peles que sobram em seu rosto há diversos piercings pendurados, ela sorrir ao ter a chance de atingir Louise, ela desfere um golpe na direção do abdômen de Louise com seu terçado.

Louise ainda lança seu corpo para longe, mas em vão o terçado atinge seu abdômen com uma força devastadora, ela perde totalmente o equilíbrio e sente a força do golpe, Lisa não perde tempo e desfere um segundo golpe com sua mão esquerda no rosto de Louise, ela tenta retirar o rosto do caminho do golpe, mas em vão os ossos de seu rosto saem do lugar lhe deixando ainda mais tonta e desnorteada.

Louise sangra no chão, vendo o mundo inteiro rodar, Lisa atinge sem pensar o pescoço da toreadora separando seu corpo do lugar, em seguida vira-se de volta para Vicent. Ela nota que ele se recuperou um pouco e está preste a levantar.

Lisa atinge uma sequencias de golpes até deixar seu corpo desacordado, o sangue a faz entrar em uma fúria descontrolada cortando o corpo de Vicent até virar uma massa disforme de carne sob a luz de uma lua crescente, ela não para até que os pedaços fiquem irreconhecíveis ao retornar a si pensa.

“Como eu vou explicar isso ao bispo? Que merda!”

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