O contrato era simples, pegar o pacote, acorrentá-lo se fosse necessário, e retornar a segurança de sua garagem, mas nunca é tão simples. Da muitas coisas que Joe lembrava-se de sua antiga vida, dirigir era a única coisa que lhe proporcionara prazer ao longo de todos aqueles anos, depois de uma carteira cheia de dinheiro, finalmente de uma hora para outra ele ganharia aquela bolada.
Desceu as escadas de sua oficina, Roberto já havia preparado seu Ford, as coisas estavam no porta-malas, preocupo-se em apagar o cigarro antes de entrar no carro, a noite estava tão fria que congelaria até as bolas de um esquimó, Rotton City não ficava no Alaska, mas não parou de nevar aquela noite.
A estrada a sua frente, o acelerador no fundo, era um trajeto de duas horas até o distrito de Yelestorn, pouco importava, ele faria em menos que isso, seu carro respondia como se fosse parte de seu corpo, a estrada molhada pela neve não lhe apresentava dificuldade alguma.
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O a taça estava no ponto.
- Eu não faço a mínima ideia de onde Thomas está! Mas é claro que podem ficar a vontade para procurar por ele!
- O senhor tem certeza? – falou Victor com sua voz de locutor, o desgraçado poderia vender picolé a um esquimó, mas Luster manteve-se fiel.
- Claro, foi um prazer à visita dos senhores! Mandem lembranças ao meu amado príncipe.
Antony arrumou seu casaco e puxou um cartão, anos de educação apenas refinaram seus movimentos, aquela situação política deveria chegar a um fim, Antony só queria retomar seus estudos.
- Caso o senhor o encontre antes, aqui está meu telefone, boa noite duque!
Sem mais deliberações, ambos saíram. Luster virou-se para a televisão e começou a medir as conseqüências de sua mentira, Thomas não poderia retornar de modo algum a Rotton City aquela noite, ele pegou o telefone para ligar para Baxter, uma guerra contra o príncipe seria inevitável, mas não aquela noite, a comitiva seria atrasada, se necessário morta, era um sacrifício que Luster estaria disposto a cometer em nome de seu senhor, o ultimo sacrifício feito por amor.
- Chefe eu tirei as balas de um deles, o outro não consegui.
- Tudo bem Butler, tudo bem, pegue o rifle e avise a segurança que não terei mais visitas essa noite, avise que teremos invasores antes do dia raiar.
- Sim senhor.
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- O dinheiro foi entregue ao motorista?
- Como o ordenado! – respondeu Cassandra
- Ele sabe quem lhe pagou.
- Sabe apenas o meu nome, como o planejado.
- E quanto ao bando em Yelestorn, estão sobre aviso?
- Sim senhor, tudo está como o planejado.
- E o maldito Nosferatu?
- Está sendo caçado.
- Ótimo, mandem soltar então aquele pobre desgraçado, e vamos torcer para que ele abra o bico.
- Sim senhor!
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100 metros... 90 metros... 80 metros... 55 metros... 40 metros.
O Ford 1958 acelerou derretendo a fina camada de gelo no asfalto, Joe sentiu o carro puxar quando girou o carro em sei eixo, a traseira correu um pouco mais que tinha imaginado, ele rapidamente lembrou-se do peso que carregava no porta-malas.
Ele não se preocupou, mesmo a 80 por hora, o carro e o asfalto molhado lhe ajudariam, o carro estava a menos de 40 metros vindo em sua direção agora, ele acelerou mais um pouco e foi de encontro, o Mercedes virou e ficou entre as duas pistas da estrada.
Joe acelerou, Antony apertou o cinto um pouco mais no banco de trás, Victor assustado fitou o rosto de Joe, era o rosto de um encanador que sabe que joelho retirar para parar o vazamento, o rosto de um matemático ao se deparar com uma função de primeiro grau, isso não lhe deixou com menos medo.
O Ford girou há menos de dois metros do Mercedes, a pista molhado espirrou o a água para o alto, o pneu cantou marcando todo o asfalto, a leve fumaça criada pela fricção subiu por onde a traseira do Ford escorregava, novamente estava de costa para o Mercedes, Antony no banco de trás abaixou-se, Victor sacou sua arma e atirou na direção do Mercedes, sua traseira riscou a lateral e o parou formando um ângulo de 90 graus, Joe puxou seu cano cerrado antes mesmo do carro parar de deslizar pela estrada.
“Perfeito, como todo Ford deve ser!”

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