quinta-feira, 18 de abril de 2013

Dentada de Tubarão - Parte I





Há algo de errado, há algo sob a luz do luar que deixa todos fudidamente na merda!  - disse Louis Dentes Partidos, ele sabia o quão jovem era para ficar conversando com espíritos, mais ainda o quanto era difícil entender o real significado de qualquer instrução dada por um espirito aquático.


Porra Loui, tu acha mesmo que o Ricardo vai gostar dessa história, a essa hora ele já deve estar vindo aqui arrancar o que sobrou dos teus dentes! - Gilberto era um ano mais velho que Louis, no entanto, diferente de Louis ele viveu a maior parte de sua vida nas ruas do Capão Redondo, em São Paulo, assim como o espirito do tubarão que ele sentia o cheiro de sangue que estava no ar naquela noite.

Ambos eram mais jovens que Ricardo, pelo menos três postos abaixo, por isso ele era o líder da matilha, o lobo alfa, ao que tudo indica Ricardo era um filhote quando os Caren das Dunas Frias tomou Malibu e o estabeleceu como território Lupino na guerra dos 40 dias. Mesmo sendo novo Ricardo era glorificado mesmo pelos anciões de outras tribos. Louis e Gilberto estavam no final da cadeia alimentar de Ricardo, por isso Gilberto não o queria contrariar.

Há cerca de uma semana no ultimo encontro da matilha, um pouco depois do inicio do verão, Ricardo decidiu que a matilha deveria se preocupar mais com estudos do que em rituais de batalha, para tanto pediu-se um tempo para que todos ficasse longe das ruas e dos postos de conflito. Tudo daria certo se não fosse Louis ter encontrado aquele espirito durante um processo de meditação.

Gilberto considerava Louis o Roedor de Ossos mais sincronizado com os espíritos que ele conhecia, no entanto, sabia também o quanto Louis era inconsequente, por isso tinha vindo junto na tentativa de persuadir o tolo a voltar, pois o espirito do tubarão lhe avisou.

Há um terror que ronda essas noites, mais forte que qualquer matilha, mais fatal que qualquer outro tubarão, há um terro de tempos passados que vêm a tona, que toma o sangue daqueles que tomam o sangue, há um terror para aqueles que se encontram depois da lua vermelha, sob o céu de Malibu

Qualquer pessoa normal teria se afastado da praia, qualquer pessoa normal teria indo para bem longe, mas Louis não era assim,m ele precisava descobrir o que estava errado, descobrir o que há por trás do enigma do espírito. Por isso estavam eles naquela noite no Pier, aguardando sabe-se lá o que poderia acontecer.

Sentiu isso? - disse Louis apontado para um dos prédios perto do mercado.

Gilberto não respondeu, apenas se concentrou, ele sentiu o odor peculiar, um odor de pele morta e mácula secular, ele sabia que era um vampiro, em uma segunda farejada soube que era uma mulher, ambos partiram sem pestanejar. Assumindo a forma dos guerreiros e se lançando na noite.

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Tudo foi rápido, Angela saltou para fora da janela, cortando sua pele escura e rolando no chão, já pegando impulso e jogando com toda a força de seu  braço o corpo magro para cima do telhado da casa de salva-vidas. Eram dois lupinos eles arrombaram a parede e por pouco não arrancaram a sua cabeça, quase automaticamente ela ativou o sinal de emergência. Ela só teve tempo para isso, quando um pata peluda arrancou parte do telhado onde ela estava.

Correu e lançou um arpão na pata e se jogou  para o outro lado, no exato momento que outro lupino estraçalhou a outra parede onde ela estava, ela não pode fazer muito mas aproveito o cabo de aço e acertou o pescoço dele, que acertou sei peito fazendo ela voar uns três metros no ar, caindo na rua.

Angela não ligou para o sangue em sua testa, não ligou para o buraco de mais de 90 centímetros aberto em seu peito, apenas levantou-se e correu na direção de um beco formado pelo intervalo de dois prédios que um dia já haviam sido residenciais, ela correu na tentativa de se esconder na escuridão.

Mas os dois demônios peludos já tinha se recuperado e correram na sua direção, ela arrombou uma porta e armou uma granada por um fio utilizando-se de sua velocidade sobre-humana, e subiu as escadas, com sangue escorrendo suas pernas. Com um pouco de sorte eles teriam que desarmar a armadilha improvisada...



Ela não teve sorte, pois um dos monstros arrancou ela de dentro da prédio e arremesssou ela para o outro lado, escombros de cimento, tijolo e sangue voaram pelo ar e pela escuridão, ela pensou que seria seu fim, quando a granada explodiu, fazendo o desgraçado queimar. Ela um pouco tonta não contou conversa e começou a subir uma escada de incêndio.

Deu certo! - pensou ela ao chegar ao topo do prédio.

Usou o sangue para curar suas feridas, sabia que pelo menos um ainda poderia ter sobrevivido, ela engatilhou sua arma e deixou no modo semi-automática e puxou um espada curta que poderia ainda cortar um dos membros do maldito.

Quem sabe? Ele talvez esta tonto, quem sabe eu não tenho um pouco mais de sorte e arranco a cabeçar desse maldito.

Foi então que ela olhou para para outros prédios e viu que estava cercada por Lobisomens.

Puta que pariu! - disse antes começar a correr novamente.



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