Abril de 1994.
“Não sei ao certo o que existe depois, mas sei bem o que existe dentro de mim”
Meus olhos ardiam sem parar, sentia minha boca seca e podia jurar que perderia cedo ou tarde a sanidade, aquela garota me olhava ofegante e acreditando que poderia tirar ela daquela fria, que monte de mentiras, estávamos perdidos, do lado de fora podia sentir cada um deles, esperando o momento certo para invadir a casa e nos partir ao meio, com sorte eu morreria rápido e sem dor e ela também, se desse errado eu veria sendo morta depois de muito tempo ou me deixariam queimando na casa, de qualquer modo estávamos fudidos!
Não sei por que aquilo me lembrou o Assalto ao Distrito 13, a versão de John Carpter, mas sem os efeitos especiais, droga os malditos atores não falariam merda alguma com uma bala no braço e a cabeça partida, mas o que estava me deixando mais preocupado era o fato deles não terem arrombado a porra da porta e acabado logo com isso, o que eu poderia fazer ou a garota? O que eles esperavam?
Ela se esgueira até mim, por Deus como era lindo o sorriso dela, não havia como resistir, valia à pena morrer por causa disso? Quando sinto os lábios dela encostando-se aos meus, sei bem a resposta. Seis balas na arma, uma faca e ela encosta sua cabeça em meu peito, aos poucos me sinto melhor, ela me acalma, meu coração dispara, ela sente e encolhe-se para perto de mim, como uma criança em busca de abrigo, ela pressiona sua cabeça sobre meu peito um pouco mais forte e começa a chorar.
“Calma garota, vai dar tudo certo!”
“A culpa é minha Loyd, eles me seguiram, a culpa é minha”
“Não garota, eles já estavam vindo aqui de qualquer modo, está me ouvindo?”
“Oh Loyd... O que vamos fazer?”
“Não se preocupe, vamos matar cada filha da mãe que atravessar essa porta”
Eu minto sem remorso algum enquanto olho a munição, ela me abraça com mais força, duas balas, uma para mim e outra para ela. Eu sei exatamente o que fazer , "não vão nos pegar, não podem, eu não vou dar esse gostinho aos desgraçados". Sinto minha mão tremer, estou perdendo sangue demais, logo não terei força para nada, vão entrar e pegar ela, vão arrastá-la para fora e brincar a noite inteira com ela, não posso permitir isso, não Loyd “Hurricane”, não há honra nisso.
Escuto sons no fundo e posso ouvir nitidamente passos na porta da frente, será o fim.
“Benzinho, feche os olhos”
A porta é arrombada, três deles entram tão rápido como um gato fugindo da água escaldante, atiro sem pensar muito, um deles cai, os outros dois vêm para cima, sorrindo como viciados, eles são viciados, no fundo outra porta é arrombada, “duas balas” digo para mim mesmo, “duas balas, uma para mim e outra para garota”.
Viro para terminar o que eles começaram, mas eles acertam minha mão antes disso e arrancam meu benzinho do meu peito, aproveito e enfio a faca na garganta de um deles tão fundo que poderia arrancar seu nariz, o outro fica paralisado, não dou muito tempo, acerto a garganta dele e o sangue jorra no cabelo de minha belezinha, ele a solta, sinto dois baques fortes na costa, minha boca se enche de sangue e meu peito arde, viro e arremesso a faca, certeiramente acerta um dos que entraram pelos fundos, ele cai, outro mira em meu benzinho, fico na frente e não sei mais de nada, um, dois, três, quatro, o desgraçado gasta todas as balas no tambor e começa a chorar e gritar quando sente meus dedos furando seus olhos, eu quebro o pescoço dele com a ultima força que tenho, um ultimo tiro me acerta e caiu sentado no sofá, nunca vi o desgraçado antes ele se aproxima e coloca o cano quente bem na minha testa.
“Acabou Loyd, vou levar a garota”
“Vai levar meus ovos na sua cara”
Ele cai depois de dois tiros, eu não sinto bem minhas pernas, nem meu corpo, vejo meu benzinho se aproximando com minha arma não, “duas balas” penso.
Ela me abraça forte, encosta sua cabeça em meu peito, aos poucos fica cada vez mais difícil respirar, tudo parece um sonho, ao fundo escuto “Lonely Avenue”, ela chora sem parar abraçada em mim, minha alma pode até ir para o inferno, mas meu corpo morre no paraíso.
“Benzinho...”
“Loyd...” ela olha para mim com seus olhos negros, a beijo pela ultima vez e me despeço desse mundo.
''Benzinho'', que conto mais lindo *__________*
ResponderExcluir