Elliot, fitava a cidade
pela janela do apartamento, há seis meses atrás ele era apenas um segurança no
museu, enquanto criança nunca foi muito bom nas matérias escolares
tradicionais, seu forte sempre foi os esportes, praticou do futebol ao beisebol,
da natação a escalada, na adolescência descobriu as artes marciais, treinou duramente, mas sabia que jamais seria um campeão, precisava que dividir seu
tempo de treino com trabalhos para sustentar sua casa, quando tinha um pouco
mais de 20 sua mãe morreu de câncer, a vida não era fácil, nunca chegou a
conhecer o seu pai.
“Que se foda!”
Todas essas lembranças
parecia um sonho distante para Elliot naquele momento, desde Fevereiro, quando
tudo mudou, algo aconteceu, algo o pegou em cheio, algo mais forte e tudo
mudou.
Ele lembra da primeira
vez que sentiu o gosto de sangue e sua boca, era quente, era forte, um tempo
depois foi levado a uma corte e julgado por outros vampiros, aquela que lhe
abraçou foi morta, ele ficou sem entender. Não entendeu nada...
“Que se foda!”
Observava a cidade e
pensava em Peter Vicent, sabia que ele foi o culpado de sua condição, sabia que
a cidade estava um caos, o príncipe decretou uma caçada de sangue contra
Elliot, por sorte ele não entregou a chave que ele tanto precisava. Elliot
ainda fitava a cidade como se estivesse em busca de algo, como se senti-se o
que estava por vir, ele não se importava com o jogo político do príncipe,
aprendeu a se cuidar bem rápido, a noite não foi uma mãe para ele.
“Que se foda! Eu não
vou morrer por causa dessa merda!”
Ellen estava nas mãos
de Peter Vicent, naquele momento Elliot pensava se valeria a pena resgata-la,
se fosse alguns anos atrás ele faria o acordo, mas ele não era a mesma pessoa.
Quase sem perceber,
meio inconsciente ele ouvia uma voz feminina lhe chamando, ele sabia o que era,
havia alguma espécie de espírito muito forte aprisionado na adaga que roubou de
Peter Vicent, ela lhe pediu o seu sangue, mas Elliot não lhe deu, deixou longe
de seu corpo, mas mesmo assim ele poderia sentir.
“Venha até mim Elliot,
posso lhe dar o que deseja, sinta um pouco do meu poder, venha até a mim”
Ele podia ouvir
claramente, uma voz doce, calma que lhe transpassava segurança, no entanto, ela
sentia algo de demoníaco na adaga, algo pior que sua existência e pior do que
todos os perigos que encontrou naquelas noites tão estranhas.
Na noite em que roubou
aquilo de Peter Vicent, ele apenas queria a chave do sarcófago, para se livrar
da dívida com o príncipe, mas ela lhe chamou, ela lhe desejou por algum motivo,
sem pensar muito ele trouxe-a.
“Porque eu não matei
Peter Vicent?”
É isso que ele se
pergunta, ele estava estirado no chão, sem força alguma, poderia ter
exterminado aquela praga da face da terra, mas Elliot sabe, ele não matou por
causa da adaga, ela lhe influenciou.
“Qual é o seu plano?”
Ele pergunta-se olhando
para a caixa de metal que comporta a adaga.
“Qual é o seu plano
bruxa? Eu sei que você está ai, sei que pode me ouvir!”
Mesmo perdido em seus
pensamentos e problemas, ele sentiu um perfume que lhe é conhecido, sua visita
acaba de chegar.
“Muito bem Peter
Vicent, vamos ver do que é capaz...”
A campainha tocou
**************
Shinyder, estava há
mais de 12 horas vasculhando um sistema de dados que catalogava um conjunto de
artefatos encontrado no norte da Rússia em 1923, por sorte algum estudante
resolveu digitalizar o relatório antropológico e as fotografias, mas por algum
motivo o acesso aos registros foram bloqueados pela agencia de segurança russa.
Enquanto isso Ingrid,
vasculhava os documentos digitalizados da biblioteca do congresso em busca de
alguma informação sobre a adaga que os amigos de Shinyder tinha pedido.
- Ingrid, pode pegar um café? – disse ele
concentrado
- Não, estou ocupada! –
disse ela mais concentrada ainda
- Hein?!
- É isso mesmo cara,
vai lá e pega o teu café, não sou tua empregada não!
- Custa pegar um café?
- Custa sim, meu tempo,
não sei se tu notou, mas só eu que vou pegar a porra do café! Tu não acha isso
muito estranho? – enquanto isso continuava vasculhando – Deixar de ser machista
e vai logo apronta esse café para gente!
- Puta merda! É só um
café...
- “É só um café” uma porra...
tu sabe muito bem disso não vêm dar uma de otário agora!
- Ta certo!
Ele levantou-se e foi
até a cozinha fazer o café, enquanto Ingrid continuava a vasculhar os arquivos
digitalizados do congresso, ela sabia que tinha algo, achou uma pista em um
outro site e conseguiu entrar no sistema sem ser notada, estava aproveitando, o
problema que o código usado para as relíquias achadas na Rússia, já contava a
mais de 20 anos, seria um pouco difícil achar alguma coisa, meio sem querer ela
achou um informação útil.
- Hey Shinyder, achei
uma coisa... você nem vai acreditar!
Shinyder veio rapidamente da cozinha, segurando os copos de café, um para ele e outro para
ela.
- A adaga já esteve
aqui antes de ir para o México, isso tu não sabia né!
- Eu pensei que era da
Silvana, foi ela que entregou para o Walter, como chegou até ela então?
- Aqui fiz que foi
herdada por um tal de Paul Walker, um milionário dono de uma empresa de petróleo
no sul do Texas, ela veio para os estados unidos no final da segunda guerra,
depois foi parar no deposito 34 da ANS, no sul da Pensilvânia, no mesmo prédio
que sofreu o ataque terrorista em agosto de 1991, depois disso o artefato foi
dado como desaparecido.
- Isso estava na
biblioteca do Congresso? – perguntou Shinyder.
- Eu tive que usar uma
porta alternativa para conseguir a informação do prédio, que acabou me levando
ao sistema da ASN!
- Boa Ingrid, eu já
tinha conseguido a informação que precisava da agencia russa, mas estou
intrigado, como o governo sabia da importância dessa adaga? Os dois? Os
tecnocratas não deixariam que isso se torna-se algo oficial.
- Talvez tenha sido
algum estudioso que deixou registrado, mas tenho uma teoria, você me disse que
a adaga tem uma consciência própria, uma espécie de inteligência artificial que
acumula experiências.
- Eu já disse é um
espírito! – retrucou Shinyder
- Chame como quiser,
esse espírito parece está procurando algo e influenciando sua aparição, no
México, quando Walter usou-a o grupo dele ficou visado e pareceu está a todo
momento sendo atraído pela mídia. Aconteceu a mesma coisa com eles aqui, não
foi? Eles também foram filmados e se ela tiver um encantamento de chamariz
nela?
- Parece uma boa interpretação,
isso explicaria porque, mesmo depois da morte de Walter ela foi encontrada por
um outro vampiro, muito bom Ingrid, mas agora temos que pesquisar outras coisa.
- O quê?
- Kashi Babayaga!
- O que é isso?
- Pelo que entendi se
trata de uma feiticeira, na verdade uma matriarca de um grupo sedentário que
habitava a região que conhecemos como sendo o norte da Russia, os arquivos
indicam que os artefatos foram achados em uma gruta que seria o tumulo dessa
matriarca, parece que etnia cultuava seu espírito.
- Certo vamos lá! Mas
essas informações não vamos achar em biblioteca nenhuma! – disse Ingrid tomando
o gole de café
- É eu sei!
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